UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 30 anos refere dor em região lombar, diariamente, de forte intensidade, sem irradiação há 4 meses. Refere acordar com a coluna travada e que só depois de duas horas, quando o corpo já esquentou, tem um pouco de melhora da dor lombar. EF: flexão e extensão lombar preservadas e manobra ombro-joelho positiva bilateral. Sobre o caso clínico descrito, a hipótese diagnóstica é:
Dor lombar crônica + melhora com exercício + rigidez matinal > 30min = Espondiloartrite.
A espondiloartrite manifesta-se tipicamente como dor lombar de padrão inflamatório em pacientes jovens, caracterizada por piora ao repouso e melhora significativa com a atividade física.
As espondiloartrites formam um grupo de doenças inflamatórias crônicas que compartilham características clínicas e genéticas (como o HLA-B27). O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a anquilose (fusão óssea) e a incapacidade funcional. O tratamento baseia-se em anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) como primeira linha e imunobiológicos (anti-TNF ou anti-IL17) para casos refratários, sempre associados à fisioterapia para manutenção da mobilidade espinal.
A dor lombar inflamatória é caracterizada por início insidioso em pacientes com menos de 45 anos, duração superior a 3 meses, rigidez matinal prolongada (geralmente > 30 minutos), melhora com o exercício físico e ausência de melhora com o repouso. Frequentemente, o paciente relata despertar na segunda metade da noite devido à dor.
Manobras como a de Patrick-Faber (ombro-joelho) ou a manobra de Gaenslen visam estressar as articulações sacroilíacas. A positividade bilateral sugere inflamação nessas articulações (sacroiliíte), que é o marco clínico e radiológico das espondiloartrites axiais, auxiliando na diferenciação de patologias discogênicas ou musculares.
As espondiloartrites frequentemente se associam a manifestações fora da coluna, como uveíte anterior aguda (unilateral e recorrente), entesites (especialmente no tendão de Aquiles), dactilite ('dedo em salsicha'), psoríase cutânea e doença inflamatória intestinal (Crohn ou Retocolite Ulcerativa).
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