Espondiloartrite Refratária: Tratamento com Anti-TNF

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 22 anos de idade apresentou lombalgia inflamatória, com rigidez matinal prolongada (cerca de duas horas), associada à artrite periférica de grandes articulações de membros inferiores, a episódios de uveíte anterior aguda e a presença de HLA B27.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o medicamento a ser utilizado, após o tratamento com duas classes de anti‑inflamatórios e a utilização de sulfassalazina e metotrexato por seis meses cada, sem resposta.

Alternativas

  1. A) anti‑interleucina 6
  2. B) corticoesteroide
  3. C) antimalárico
  4. D) antifator de necrose tumoral
  5. E) anti‑CD20

Pérola Clínica

Espondiloartrite refratária a AINEs, sulfassalazina e metotrexato, com HLA B27 e manifestações extra-articulares, indica tratamento com anti-TNF.

Resumo-Chave

O quadro de lombalgia inflamatória, rigidez matinal prolongada, artrite periférica, uveíte e HLA B27 positivo é altamente sugestivo de espondiloartrite. A falha terapêutica a anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), sulfassalazina e metotrexato indica doença refratária, sendo a próxima etapa o uso de agentes biológicos, especificamente os inibidores do fator de necrose tumoral alfa (anti-TNF).

Contexto Educacional

As espondiloartrites (EpA) são um grupo de doenças inflamatórias crônicas que afetam predominantemente o esqueleto axial (coluna vertebral e articulações sacroilíacas), mas também podem envolver articulações periféricas e ter manifestações extra-articulares. A espondilite anquilosante é o protótipo desse grupo. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e radiológicos, sendo a lombalgia inflamatória, a rigidez matinal prolongada e a presença do antígeno HLA B27 marcadores importantes. O caso clínico descreve um paciente jovem com lombalgia inflamatória, rigidez matinal prolongada, artrite periférica, uveíte anterior aguda e HLA B27 positivo, um quadro clássico de espondiloartrite. O tratamento inicial geralmente envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para controle da dor e inflamação. Para a artrite periférica, drogas modificadoras do curso da doença (DMCDs) como sulfassalazina e metotrexato podem ser utilizadas, embora o metotrexato tenha eficácia limitada nas manifestações axiais. Quando há falha terapêutica às abordagens convencionais (AINEs, DMCDs) após um período adequado, a doença é considerada refratária. Nesses casos, a próxima etapa no algoritmo de tratamento é a introdução de agentes biológicos. Os inibidores do fator de necrose tumoral alfa (anti-TNF) são a primeira linha de tratamento biológico para espondiloartrites refratárias, demonstrando alta eficácia no controle da inflamação axial, periférica e das manifestações extra-articulares, como a uveíte. Outras classes de biológicos, como os anti-IL-17, também estão disponíveis, mas os anti-TNF são a escolha inicial mais comum.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da lombalgia inflamatória na espondiloartrite?

A lombalgia inflamatória na espondiloartrite é caracterizada por início insidioso antes dos 40 anos, melhora com o exercício e piora com o repouso, rigidez matinal prolongada (geralmente > 30 minutos) e dor noturna que acorda o paciente. É diferente da lombalgia mecânica, que piora com o movimento.

Quando os agentes anti-TNF são indicados no tratamento da espondiloartrite?

Os agentes anti-TNF são indicados para pacientes com espondiloartrite axial ou periférica que não respondem adequadamente a um período de tratamento com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e, em alguns casos, a drogas modificadoras do curso da doença (DMCDs) como sulfassalazina ou metotrexato, especialmente se houver manifestações extra-articulares.

Quais são as manifestações extra-articulares comuns da espondiloartrite?

As manifestações extra-articulares mais comuns da espondiloartrite incluem uveíte anterior aguda (inflamação ocular), psoríase (doença de pele), doença inflamatória intestinal (como Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa) e entesite (inflamação nos locais de inserção de tendões e ligamentos nos ossos).

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