Espondilite Anquilosante: Tratamento da Doença Refratária

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 35 anos de idade é avaliada em consulta de retorno por um diagnóstico recente de espondilite anquilosante. Apesar do uso de três anti-inflamatórios não hormonais diferentes e fisioterapia, ela continua sintomática, desconfortável, com dor noturna e rigidez/dor matinal com duração superior a 1 hora. Ao exame físico: sinais vitais são normais; há dor nas articulações sacroilíacas à flexão do quadril, abdução e rotação externa; a amplitude de movimento da coluna lombar é levemente limitada; as articulações periféricas são normais. A radiografia anteroposterior inicial da pelve mostrou sacroileíte bilateral. Nesse momento, o tratamento correto é

Alternativas

  1. A) etanercepte (anti-TNF).
  2. B) sulfassalazina.
  3. C) prednisona.
  4. D) azatioprina.
  5. E) metotrexato.

Pérola Clínica

Espondilite anquilosante refratária a AINEs → iniciar terapia anti-TNF.

Resumo-Chave

Em pacientes com espondilite anquilosante que permanecem sintomáticos e com atividade da doença apesar do uso adequado de AINEs e fisioterapia, a próxima etapa do tratamento é a introdução de agentes biológicos, como os inibidores de TNF (anti-TNF), para controlar a inflamação e a progressão da doença.

Contexto Educacional

A espondilite anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica que afeta predominantemente o esqueleto axial, especialmente as articulações sacroilíacas e a coluna vertebral. Caracteriza-se por dor lombar inflamatória, rigidez matinal prolongada e, em casos avançados, pode levar à fusão vertebral. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e radiográficos, como a presença de sacroileíte bilateral. O tratamento inicial da EA envolve anti-inflamatórios não hormonais (AINEs) e fisioterapia, que visam controlar a dor e a rigidez, além de manter a mobilidade. No entanto, uma parcela significativa dos pacientes não responde adequadamente a essa terapia convencional, persistindo com alta atividade da doença, conforme evidenciado por sintomas refratários e marcadores inflamatórios elevados. Para pacientes com EA que falham à terapia com AINEs, a introdução de agentes biológicos, como os inibidores do fator de necrose tumoral alfa (anti-TNF), é a conduta correta. Medicamentos como etanercepte, infliximabe, adalimumabe, golimumabe e certolizumabe pegol demonstraram eficácia superior na redução da atividade da doença, melhora funcional e retardo da progressão radiográfica em comparação com imunossupressores convencionais como metotrexato ou sulfassalazina, que têm papel limitado na doença axial.

Perguntas Frequentes

Quando considerar a terapia anti-TNF na espondilite anquilosante?

A terapia anti-TNF é considerada quando há falha de pelo menos dois AINEs em doses máximas por um período de 2 a 4 semanas, e o paciente mantém atividade da doença, como dor noturna e rigidez matinal prolongada, impactando significativamente a qualidade de vida.

Qual o mecanismo de ação dos anti-TNF na espondilite anquilosante?

Os anti-TNF bloqueiam o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), uma citocina pró-inflamatória chave na patogênese da espondilite anquilosante. Ao inibir o TNF-α, esses medicamentos reduzem a inflamação, a dor e a rigidez, além de retardar a progressão radiográfica da doença.

Quais são as principais manifestações clínicas da espondilite anquilosante?

As principais manifestações incluem dor lombar inflamatória crônica (piora com repouso, melhora com exercício, dor noturna, rigidez matinal > 30 min), sacroileíte, uveíte, entesite e, em casos avançados, fusão vertebral, conhecida como 'coluna em bambu'.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo