ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um jovem de 24 anos refere lombalgia e dor sacroilíaca crônicas há aproximadamente 6 meses. Apresenta também dor progressiva em membro inferior esquerdo. No último mês, vem apresentando rigidez matinal que melhora com exercícios físicos. A dor lombossacra chega a acordá-lo no meio da noite. Afirma também ter certa dificuldade em expandir a parede torácica.O diagnóstico mais provável é:
Homem jovem com dor lombar inflamatória (melhora com exercício, piora com repouso) + sacroileíte → pensar em Espondilite Anquilosante.
A espondilite anquilosante é o protótipo das espondiloartrites axiais. O diagnóstico é suspeitado em pacientes jovens com dor lombar de ritmo inflamatório, caracterizada por rigidez matinal e melhora com o movimento. O acometimento das articulações sacroilíacas e a redução da expansibilidade torácica são achados característicos.
A espondilite anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica que afeta primariamente o esqueleto axial, incluindo as articulações sacroilíacas e a coluna vertebral. É o protótipo do grupo das espondiloartrites soronegativas e tem forte associação com o antígeno de histocompatibilidade HLA-B27. A doença acomete predominantemente homens jovens, com início dos sintomas geralmente antes dos 45 anos. A principal manifestação clínica é a dor lombar de caráter inflamatório, que se diferencia da dor mecânica por ser insidiosa, piorar com o repouso e melhorar com a atividade física, além de cursar com rigidez matinal prolongada. A inflamação crônica das articulações sacroilíacas (sacroileíte) e da coluna pode levar à fusão óssea (anquilose), resultando em perda de mobilidade e na postura característica de 'esquiador'. A redução da expansibilidade torácica ocorre pelo acometimento das articulações costo-vertebrais. O diagnóstico é baseado nos critérios clínicos (ASAS) e de imagem (radiografia ou ressonância magnética de sacroilíacas). O tratamento visa controlar a dor e a inflamação, preservar a função e prevenir deformidades. A primeira linha terapêutica consiste em anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e fisioterapia. Em casos refratários ou com doença mais grave, os agentes imunobiológicos, como os inibidores do TNF-alfa e da IL-17, são altamente eficazes.
A dor lombar inflamatória tipicamente tem início insidioso antes dos 40 anos, dura mais de 3 meses, está associada a rigidez matinal prolongada (>30 min), melhora com exercícios e não melhora (ou piora) com o repouso. Dor noturna que desperta o paciente também é comum.
O tratamento inicial envolve anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em doses plenas e contínuas, associados a fisioterapia. Para pacientes que não respondem aos AINEs, a terapia com agentes biológicos (inibidores de TNF-alfa ou IL-17) é indicada.
As manifestações extra-axiais incluem artrite periférica, entesites (inflamação na inserção de tendões, como no tendão de Aquiles), uveíte anterior aguda (a mais comum), e, mais raramente, doença inflamatória intestinal, psoríase, e acometimento cardíaco ou pulmonar.
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