Espondilite Anquilosante: Diagnóstico e Critérios Clínicos

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 31 anos, motorista de aplicativo, procura atendimento médico queixando-se de dor lombar de início insidioso há cerca de 8 meses. Relata que a dor é pior durante a madrugada, muitas vezes acordando-o, e apresenta melhora significativa após iniciar suas atividades laborais. Refere rigidez matinal que dura aproximadamente 1 hora. Ao exame físico, apresenta teste de Schober modificado com expansibilidade de 3 cm (valor de referência > 5 cm) e dor à manobra de Volkmann bilateralmente. Não há evidências de artrite periférica ou dactilite. O paciente traz um hemograma sem alterações e uma Proteína C Reativa (PCR) levemente elevada (12 mg/L; referência < 3 mg/L). Diante do quadro clínico e da principal suspeita diagnóstica, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico mais provável é espondilite anquilosante, sendo a radiografia de sacroilíacas o exame inicial para avaliação de sacroiliíte.
  2. B) O quadro sugere lombalgia mecânica crônica por postura inadequada, devendo-se solicitar ressonância magnética de coluna lombar imediatamente.
  3. C) A principal hipótese é artrite reumatoide de início axial, devendo-se solicitar o fator reumatoide e o anti-CCP para definição diagnóstica.
  4. D) Trata-se de um caso típico de artrite reativa, sendo necessária a investigação de infecção urogenital ou intestinal prévia para confirmação.

Pérola Clínica

Dor lombar inflamatória + Schober ↓ + Sacroiliíte → Espondilite Anquilosante.

Resumo-Chave

A espondilite anquilosante caracteriza-se por dor lombar de padrão inflamatório em jovens, com limitação da mobilidade da coluna e evidência radiográfica de sacroiliíte bilateral.

Contexto Educacional

A espondilite anquilosante (EA) é o protótipo das espondiloartrites, afetando predominantemente o esqueleto axial. A fisiopatologia envolve uma forte associação genética com o alelo HLA-B27 e uma resposta inflamatória mediada por citocinas como TNF-alfa e IL-17, levando a entesites e eventual anquilose óssea. O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento e prevenir a incapacidade funcional. Além das manifestações axiais, o médico deve estar atento a manifestações extra-articulares, como uveíte anterior aguda (a mais comum), psoríase e doença inflamatória intestinal. O tratamento baseia-se em anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como primeira linha, seguidos por imunobiológicos (anti-TNF ou inibidores de IL-17) em casos refratários, sempre associados a fisioterapia regular.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios de dor lombar inflamatória?

A dor lombar inflamatória é caracterizada por início insidioso antes dos 45 anos, duração superior a 3 meses, rigidez matinal prolongada (>30-60 minutos), melhora com o exercício e ausência de melhora com o repouso, frequentemente acordando o paciente na segunda metade da noite. Diferencia-se da dor mecânica, que piora com o esforço e melhora com o repouso. Na espondilite anquilosante, essa dor é o sintoma cardinal e reflete a inflamação ativa nas articulações sacroilíacas e na coluna vertebral.

Como realizar e interpretar o teste de Schober modificado?

O teste de Schober modificado avalia a mobilidade da coluna lombar. Marca-se um ponto na linha média entre as espinhas ilíacas posterossuperiores (nível de L5) e outro ponto 10 cm acima. Pede-se ao paciente para realizar flexão máxima do tronco. O aumento da distância entre os pontos deve ser superior a 5 cm (totalizando >15 cm). Valores menores, como os 3 cm do caso clínico, indicam restrição significativa da mobilidade lombar, comum em fases avançadas ou progressivas da espondilite anquilosante.

Qual o papel da radiografia de sacroilíacas no diagnóstico?

A radiografia simples das articulações sacroilíacas (incidência de Ferguson) continua sendo o exame inicial recomendado pelos critérios de Nova York modificados. A presença de sacroiliíte bilateral (grau ≥ 2) ou unilateral (grau 3 ou 4) é necessária para o diagnóstico definitivo de espondilite anquilosante. Em fases muito precoces, onde a radiografia é normal (espondiloartrite axial não radiográfica), a ressonância magnética é o exame de escolha para detectar edema ósseo subcondral, sinal de inflamação ativa.

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