HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020
Homem, 24 anos, operário da construção civil, consulta devido à dor lombar, evoluindo há 4 meses. A dor é intensa, associada a rigidez da base da coluna com irradiação para nádegas. Ele acorda à noite pela dor e percebe que caminhar pela casa alivia o sintoma. Ao exame físico, apresenta limitação do movimento da coluna em todas as direções. Traz uma radiografia solicitada pelo médico da empresa com a seguinte imagem; Em relação ao caso, quais são os achados radiológicos, diagnóstico e manejo inicial?
Dor lombar inflamatória em jovem + sacroileíte bilateral → Espondilite Anquilosante.
A dor lombar inflamatória, caracterizada por rigidez matinal, melhora com o exercício e piora com o repouso, em um paciente jovem, é altamente sugestiva de espondilite anquilosante. A presença de sacroileíte bilateral na radiografia confirma o diagnóstico, e o tratamento inicial inclui AINEs e fisioterapia.
A Espondilite Anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica, autoimune, que afeta predominantemente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, pertencente ao grupo das espondiloartrites. É mais comum em homens jovens, com pico de início entre 20 e 30 anos. O reconhecimento precoce é vital para prevenir a progressão da doença e as deformidades incapacitantes. Residentes devem estar atentos aos sintomas de dor lombar inflamatória, que se diferencia da dor mecânica. A fisiopatologia envolve uma predisposição genética forte, com a presença do alelo HLA-B27 em cerca de 90% dos pacientes, embora sua ausência não exclua o diagnóstico. A inflamação crônica leva à erosão óssea e, eventualmente, à ossificação e fusão das articulações, resultando na característica 'coluna em bambu'. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos (dor lombar inflamatória) e radiológicos (sacroileíte bilateral). A radiografia simples da coluna e sacroilíacas é o exame inicial, mas a ressonância magnética pode detectar sacroileíte em fases mais precoces. O tratamento visa aliviar a dor, reduzir a inflamação, manter a mobilidade e prevenir deformidades. A primeira linha de tratamento são os anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs). A fisioterapia e exercícios regulares são componentes essenciais do manejo. Em casos de doença mais grave ou refratária, podem ser utilizados agentes biológicos, como os inibidores do TNF-alfa. O prognóstico varia, mas com tratamento adequado, muitos pacientes conseguem manter uma boa qualidade de vida.
A dor lombar inflamatória é tipicamente crônica (>3 meses), de início insidioso, piora com o repouso e melhora com o exercício, com rigidez matinal prolongada (>30 minutos), e pode acordar o paciente à noite.
A sacroileíte bilateral é um achado radiológico cardinal da espondilite anquilosante, indicando inflamação das articulações sacroilíacas, e é um dos critérios diagnósticos essenciais para a doença.
O manejo inicial inclui anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) como primeira linha para controle da dor e inflamação, associados à fisioterapia e exercícios para manter a mobilidade e prevenir deformidades.
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