Espondilite Anquilosante: Diagnóstico e Sinais Chave em Reumatologia

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Paciente F.G.B., sexo masculino, 27 anos, apresenta lombalgia intensa que o acorda durante a noite, piora em repouso e melhora com exercício, além de rigidez matinal de 60 minutos. Evoluiu com hiperemia conjuntival e calcaneodinia. Ao exame físico sopro diastólico em foco aórtico. Lasegue negativo. Proteína C reativa 27,5 (VR<10) e VHS (hemossedimentação) 49. Qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A)  Nefrolitíase.
  2. B)  Hérnia discal.
  3. C)  Doença de Whipple.
  4. D)  Espondilite anquilosante.

Pérola Clínica

Lombalgia inflamatória + rigidez matinal >30min + uveíte/calcaneodinia + sopro aórtico → Espondilite Anquilosante.

Resumo-Chave

A espondilite anquilosante é uma espondiloartropatia soronegativa caracterizada por lombalgia inflamatória, rigidez matinal prolongada e melhora com exercício. Manifestações extra-articulares como uveíte, entesite (calcaneodinia) e envolvimento cardíaco (insuficiência aórtica) são comuns e reforçam o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Espondilite Anquilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica, sistêmica, que afeta predominantemente o esqueleto axial, especialmente as articulações sacroilíacas e a coluna vertebral, levando à dor, rigidez e, em casos avançados, à fusão vertebral. Faz parte do grupo das espondiloartropatias soronegativas, caracterizadas pela ausência do fator reumatoide. É mais comum em homens jovens e tem forte associação com o antígeno HLA-B27. O quadro clínico clássico inclui lombalgia inflamatória, que se manifesta por dor que piora com o repouso e melhora com a atividade física, rigidez matinal prolongada (geralmente > 30 minutos) e início insidioso antes dos 40 anos. Além do envolvimento axial, a EA pode apresentar manifestações extra-articulares significativas, como uveíte anterior aguda (hiperemia conjuntival), entesite (inflamação dos locais de inserção de tendões e ligamentos, como a calcaneodinia), e, em casos mais raros e avançados, envolvimento cardíaco (insuficiência aórtica, como o sopro diastólico descrito). O diagnóstico é baseado nos critérios clínicos e radiológicos (sacroileíte bilateral). Exames laboratoriais como PCR e VHS podem estar elevados, refletindo a atividade inflamatória. O tratamento visa aliviar a dor, reduzir a inflamação, manter a mobilidade e prevenir deformidades, utilizando anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como primeira linha, fisioterapia e, em casos refratários, agentes biológicos (anti-TNF).

Perguntas Frequentes

Quais são as características da lombalgia inflamatória que a diferenciam da lombalgia mecânica?

A lombalgia inflamatória, típica da espondilite anquilosante, piora com o repouso, melhora com o exercício, tem início insidioso, duração superior a 3 meses e está associada a rigidez matinal prolongada (>30 minutos).

Quais manifestações extra-articulares são comumente associadas à Espondilite Anquilosante?

As manifestações extra-articulares mais comuns incluem uveíte anterior aguda, entesite (como calcaneodinia), doença inflamatória intestinal, psoríase e, menos frequentemente, envolvimento cardíaco (insuficiência aórtica) e pulmonar (fibrose apical).

Qual o papel do HLA-B27 no diagnóstico da Espondilite Anquilosante?

O HLA-B27 está presente em cerca de 90% dos pacientes com espondilite anquilosante, mas sua presença não é diagnóstica por si só, pois também pode ser encontrado em indivíduos saudáveis. É um fator de suscetibilidade genética e auxilia no diagnóstico em conjunto com a clínica e exames de imagem.

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