Espondilite Anquilosante: Diagnóstico e Marcadores Genéticos

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026

Enunciado

Homem, 29 anos de idade, apresenta dor lombar há 6 meses com irradiação para as nádegas, com piora no repouso e melhora com exercício físico. Apresenta rigidez matinal com duração de, aproximadamente, 1 hora e melhora ao longo do dia. Há 2 meses, apresenta edema em região do tendão calcâneo. Não apresenta outros sintomas ou antecedentes. Ao exame físico, apresenta limitação da flexão lombar e redução da expansão torácica. Qual dos exames a seguir será positivo?

Alternativas

  1. A) Anticorpo antinuclear.
  2. B) Fator reumatoide.
  3. C) HLA-B27.
  4. D) c-ANCA.
  5. E) Anti-CCP.

Pérola Clínica

Dor lombar inflamatória + entesite + ↓ expansibilidade torácica → HLA-B27 (Espondilite Anquilosante).

Resumo-Chave

A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta o esqueleto axial, fortemente associada ao HLA-B27 e caracterizada por dor lombar que melhora com exercício e piora com repouso.

Contexto Educacional

A Espondilite Anquilosante (EA) é o protótipo das espondiloartrites soronegativas, afetando predominantemente o esqueleto axial. A fisiopatologia envolve inflamação nas enteses e sinóvia, levando à formação de sindesmófitos e eventual anquilose da coluna ('coluna em bambu'). O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento com AINEs e, se necessário, imunobiológicos (anti-TNF ou anti-IL17), visando preservar a mobilidade e qualidade de vida. O exame físico deve incluir o Teste de Schober para avaliar a flexão lombar e a medida da expansibilidade torácica, que se reduz conforme a progressão da doença e o envolvimento das articulações costovertebrais.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica da Espondilite Anquilosante?

A tríade clássica da Espondilite Anquilosante (EA) é composta por dor lombar crônica de padrão inflamatório, rigidez matinal prolongada e evidência radiográfica de sacroiliite bilateral. A dor inflamatória caracteriza-se por início insidioso em indivíduos com menos de 45 anos, melhora com a atividade física, piora com o repouso e frequentemente desperta o paciente durante a noite. Além do envolvimento axial, a EA manifesta-se comumente através de entesites, sendo a inflamação na inserção do tendão de Aquiles ou da fáscia plantar sinais clínicos muito sugestivos. Manifestações extra-articulares, como a uveíte anterior aguda unilateral e recorrente, também são fundamentais para o diagnóstico. No exame físico, a redução da mobilidade da coluna lombar (medida pelo teste de Schober) e a diminuição da expansibilidade torácica refletem o processo de ossificação progressiva das articulações axiais e costovertebrais.

Como diferenciar dor lombar inflamatória de mecânica?

A distinção entre dor lombar inflamatória e mecânica é o primeiro passo na avaliação de espondiloartrites. A dor inflamatória, típica da Espondilite Anquilosante, apresenta início gradual, duração superior a três meses, rigidez matinal que ultrapassa 30 a 60 minutos e melhora significativa com o movimento. Em contraste, a dor lombar mecânica, que representa a maioria dos casos na prática clínica, costuma ter um início mais abrupto, é exacerbada pelo esforço físico e aliviada pelo repouso absoluto. Pacientes com dor mecânica raramente apresentam sintomas sistêmicos ou rigidez matinal significativa. Além disso, a dor inflamatória costuma responder de forma dramática ao uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) nas primeiras 24 a 48 horas, o que pode servir como uma pista diagnóstica adicional durante a investigação clínica inicial de pacientes jovens com queixas crônicas.

Qual a utilidade do HLA-B27 no diagnóstico?

O HLA-B27 é um antígeno leucocitário humano de classe I fortemente associado às espondiloartrites, especialmente à Espondilite Anquilosante, onde está presente em mais de 90% dos pacientes brancos. No entanto, sua presença não é diagnóstica isoladamente, pois cerca de 8% da população geral saudável carrega o alelo sem nunca desenvolver a doença. Sua principal utilidade clínica reside no aumento da probabilidade pós-teste em pacientes com suspeita clínica moderada, especialmente quando os exames de imagem iniciais (como o raio-X de bacia) são normais ou duvidosos. Nos critérios de classificação do ASAS (Assessment of SpondyloArthritis international Society) para espondiloartrite axial, a positividade do HLA-B27 associada a pelo menos dois outros achados clínicos típicos permite a classificação do paciente mesmo na ausência de sacroiliite definitiva em exames de imagem, facilitando o diagnóstico precoce.

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