CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022
Sobre o acometimento ocular na espondilite ancilosante, é correto afirmar:
Uveíte na Espondilite Ancilosante = Aguda, Anterior, Unilateral recorrente (alternante) e Não granulomatosa.
A uveíte anterior é a manifestação extra-articular mais comum da espondilite ancilosante, caracterizando-se por episódios súbitos, unilaterais e recorrentes que podem alternar de olho.
A espondilite ancilosante (EA) faz parte do grupo das espondiloartrites soronegativas. A uveíte anterior aguda ocorre em cerca de 25-40% dos pacientes com EA ao longo da vida. O diagnóstico precoce é crucial para evitar sequelas como catarata secundária, glaucoma e edema macular cistoide. Clinicamente, o paciente apresenta o 'olho vermelho' doloroso. O manejo envolve o uso de corticoides tópicos potentes (como acetato de prednisolona 1%) e agentes cicloplégicos para prevenir a formação de sinéquias e aliviar o espasmo do corpo ciliar.
O padrão clássico é a uveíte anterior aguda (UAA), que se manifesta de forma unilateral, súbita e recorrente. Embora possa afetar ambos os olhos ao longo do tempo (bilateral), os episódios raramente ocorrem de forma simultânea, sendo caracteristicamente alternantes. O quadro é tipicamente não granulomatoso, apresentando dor, fotofobia e hiperemia ciliar, com forte associação ao marcador genético HLA-B27.
Sim, a sinéquia posterior (adesão da íris ao cristalino) é uma complicação frequente se a inflamação não for tratada precocemente com midriáticos e corticoides tópicos. Diferente do que algumas alternativas sugerem, não é uma complicação rara, mas sim uma consequência direta da exsudação de fibrina na câmara anterior durante as crises agudas intensas.
A diferenciação baseia-se na natureza aguda e não granulomatosa da inflamação. Causas como sarcoidose ou tuberculose tendem a causar uveítes granulomatosas (com precipitados ceráticos em 'gordura de carneiro'). Na espondilite, a inflamação é restrita ao segmento anterior (iridociclite) e apresenta episódios autolimitados de 4 a 8 semanas, frequentemente associados a dor lombar inflamatória.
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