SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Mulher, 40 anos de idade, procura a UBS por apresentar olhos amarelados, esporadicamente. Nega comorbidades ou uso de medicações. Ao exame físico, bom estado geral, sinais vitais estáveis, icterícia 1+/4. Não há alterações no exame segmentar, exceto espaço de Traube ocupado. Solicitados exames, com os seguintes resultados: Hb: 10,5g/dL, VCM: 100fl, CHCM: 35,1g/dL, RDW: 17%, leucócitos: 5930/mm³, plaquetas: 160mil/mm³, ferritina: 1000ng/mL, índice de saturação de transferrina: 54%, bilirrubinas totais: 3,8g/dL, direta: 0,9g/dL, indireta: 2,89g/dL, AST: 26U/L (VR: 31), ALT: 29U/L (VR: 31U/L), Albumina: 4,0g/dL, RNI: 1,0.Identifique o mecanismo patológico relacionado à esplenomegalia apresentada pela paciente:
Icterícia indireta + anemia + esplenomegalia → Hemólise crônica, com esplenomegalia por ↑ função fagocítica do baço.
A icterícia indireta, anemia com VCM e CHCM elevados, RDW aumentado e esplenomegalia são achados que sugerem anemia hemolítica. A esplenomegalia nesse contexto é resultado do aumento da função fagocítica do baço, que remove as hemácias anormais ou danificadas da circulação.
A anemia hemolítica é caracterizada pela destruição prematura de eritrócitos, levando a uma redução da sua vida útil. Essa condição pode ser congênita ou adquirida e manifesta-se com anemia, icterícia (predominantemente indireta) e, frequentemente, esplenomegalia. O caso clínico apresenta um perfil laboratorial e clínico sugestivo de um processo hemolítico crônico, com icterícia indireta proeminente e anemia. O baço desempenha um papel central na fisiopatologia da anemia hemolítica, atuando como um filtro para as hemácias. Em estados hemolíticos, o baço se torna hiperativo, aumentando sua função fagocítica para remover as hemácias danificadas ou anormais da circulação. Essa hiperatividade leva ao aumento do tamanho do órgão, resultando em esplenomegalia. A presença de VCM e CHCM elevados, juntamente com RDW aumentado, pode sugerir uma hemólise com reticulocitose compensatória ou outras alterações morfológicas das hemácias. O diagnóstico diferencial da esplenomegalia é amplo, mas no contexto de icterícia indireta e anemia, a hemólise deve ser fortemente considerada. A ferritina elevada pode ser um marcador de inflamação crônica ou sobrecarga de ferro secundária à hemólise ou transfusões prévias. O entendimento do mecanismo pelo qual a esplenomegalia se desenvolve na hemólise é crucial para o raciocínio clínico e para a escolha de investigações adicionais, como o esfregaço de sangue periférico e testes específicos para causas de hemólise.
Os principais sinais laboratoriais de hemólise incluem anemia, reticulocitose, aumento da bilirrubina indireta, aumento da desidrogenase láctica (LDH), diminuição da haptoglobina, e presença de esferócitos ou outras alterações morfológicas em esfregaço de sangue periférico.
A esplenomegalia na anemia hemolítica ocorre devido ao aumento da função fagocítica do baço. O baço é o principal órgão responsável pela remoção de hemácias envelhecidas ou anormais da circulação. Em condições hemolíticas, há uma destruição acelerada de hemácias, sobrecarregando o baço e levando ao seu aumento de tamanho.
A icterícia indireta é um achado comum na hemólise porque a destruição excessiva de hemácias libera grandes quantidades de hemoglobina, que é metabolizada em bilirrubina não conjugada (indireta). O fígado pode não conseguir conjugar toda essa bilirrubina, resultando em seu acúmulo no sangue e manifestação de icterícia.
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