Esplenectomia: Imunização Essencial para Prevenção de Infecções

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um jovem de 18 anos de idade, está no quarto dia de pós-operatório, de uma esplenectomia após acidente de trânsito. Encontra-se assintomático e não houve intercorrência no pós-operatório. O cirurgião responsável pelo caso, resolve dar alta hospitalar e fazer as orientações. Dentre as diversas orientações pós-operatórias, neste caso deve constar:

Alternativas

  1. A) Vacina tríplice viral; Vacina Pentavalente
  2. B) Antibioticoterapia para cobertura de Bactérias Gram-positivas
  3. C) Vacina pneumocócica; Vacina meningocócica; Vacina conjugada anti-Hib
  4. D) Antibioticoterapia para cobrir Bactéria Gram-negativas e anaeróbios

Pérola Clínica

Pós-esplenectomia → Risco ↑ de infecções por encapsulados → Vacinas pneumocócica, meningocócica, anti-Hib.

Resumo-Chave

Pacientes esplenectomizados perdem a capacidade de filtrar bactérias encapsuladas e produzir anticorpos de forma eficaz, tornando-os altamente suscetíveis a infecções graves. A imunização com vacinas específicas contra pneumococos, meningococos e Haemophilus influenzae tipo b é fundamental para prevenir a sepse fulminante.

Contexto Educacional

A esplenectomia, seja por trauma, doença hematológica ou outras condições, resulta em asplenia funcional, uma condição que confere alto risco de infecções graves e potencialmente fatais, conhecidas como Síndrome de Sepse Pós-Esplenectomia (OPSI). As bactérias encapsuladas, como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b, são os principais agentes etiológicos, devido à perda da função de filtração e da produção de anticorpos pelo baço. A principal estratégia de prevenção da OPSI é a imunização adequada. As vacinas recomendadas incluem a vacina pneumocócica (tanto a conjugada quanto a polissacarídica, em esquema sequencial), a vacina meningocócica (conjugada ACWY e, dependendo da epidemiologia, a vacina contra meningococo B) e a vacina conjugada anti-Haemophilus influenzae tipo b (Hib). O ideal é que essas vacinas sejam administradas 2 semanas antes da esplenectomia eletiva; em casos de esplenectomia de emergência, devem ser aplicadas o mais precocemente possível no pós-operatório, geralmente após 14 dias. Além da vacinação, a profilaxia antibiótica contínua (geralmente penicilina) pode ser considerada, especialmente em crianças e por um período de 3 a 5 anos pós-esplenectomia ou por toda a vida em pacientes de alto risco. É fundamental que os pacientes esplenectomizados recebam orientações claras sobre os riscos, a necessidade de vacinação e a importância de procurar atendimento médico imediato em caso de febre ou sinais de infecção, para início precoce de antibioticoterapia empírica.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes esplenectomizados têm maior risco de infecções?

O baço é crucial na defesa contra bactérias encapsuladas, como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b. Sem o baço, a capacidade de filtrar esses patógenos e produzir anticorpos é severamente comprometida, aumentando o risco de sepse fulminante.

Quais vacinas são recomendadas após esplenectomia?

As vacinas essenciais são a pneumocócica (conjugada e polissacarídica), a meningocócica (ACWY e B) e a contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib). O esquema e o tempo de aplicação variam, mas idealmente devem ser administradas antes da cirurgia ou logo após.

Quando a profilaxia antibiótica é indicada em asplênicos?

A profilaxia antibiótica oral diária, geralmente com penicilina, é recomendada para pacientes asplênicos, especialmente crianças e durante os primeiros anos pós-esplenectomia, ou em situações de alto risco, como viagens a áreas endêmicas, para complementar a proteção das vacinas.

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