USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Mulher de 53 anos de idade, portadora de obesidade grau 2 e diabete melito tipo 2, foi submetida a laparotomia e esplenectomia devido quadro de púrpura trombocitopênica idiopática. Após 24 horas da cirurgia passou a apresentar febre de 38,1 graus centígrados, tendo ocorrido 2 picos ao longo do dia. Dispondo destas informações podemos afirmar que:
Esplenectomia → alto risco de infecções graves (OPSI). Vacinação e antibioticoprofilaxia são essenciais no pré/pós-operatório.
Pacientes esplenectomizados têm risco elevado de infecções graves por bactérias encapsuladas (OPSI). A profilaxia com vacinas (pneumococo, meningococo, Haemophilus influenzae tipo b) e, em alguns casos, antibioticoprofilaxia oral, é crucial para prevenir essas complicações. A febre precoce pós-operatória pode ter múltiplas causas, mas a prevenção de infecções é prioritária.
A esplenectomia, procedimento cirúrgico de remoção do baço, é realizada por diversas indicações, como púrpura trombocitopênica idiopática (PTI), trauma esplênico ou doenças hematológicas. Embora seja um tratamento eficaz para certas condições, a ausência do baço confere ao paciente um risco significativamente aumentado de desenvolver infecções graves e fulminantes, conhecidas como Síndrome da Sepse Fulminante Pós-Esplenectomia (OPSI). A fisiopatologia da OPSI está ligada à perda da função imune do baço, que é essencial na filtração de bactérias encapsuladas (como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b) e na produção de opsoninas e anticorpos. Pacientes esplenectomizados, especialmente aqueles com comorbidades como obesidade e diabetes, têm um sistema imunológico já comprometido, elevando ainda mais o risco. A febre pós-operatória precoce é um achado comum, mas em pacientes esplenectomizados, a possibilidade de infecção grave deve ser sempre considerada. A prevenção é a pedra angular no manejo de pacientes esplenectomizados. Isso inclui a vacinação contra os principais patógenos encapsulados (pneumococo, meningococo, Haemophilus influenzae tipo b), idealmente antes da cirurgia ou no pós-operatório precoce. Além disso, a antibioticoprofilaxia oral contínua pode ser recomendada em grupos de alto risco. A educação do paciente sobre os sinais de infecção e a necessidade de procurar atendimento médico imediato em caso de febre é fundamental para um bom prognóstico.
O baço desempenha um papel crucial na imunidade, filtrando bactérias encapsuladas e produzindo anticorpos. Sua remoção (esplenectomia) compromete a capacidade do organismo de combater esses patógenos, aumentando o risco de Síndrome da Sepse Fulminante Pós-Esplenectomia (OPSI).
As vacinas recomendadas são contra Pneumococo (polissacarídica e conjugada), Meningococo (ACWY e B) e Haemophilus influenzae tipo b. Idealmente, devem ser administradas 2 semanas antes da cirurgia ou, se não for possível, 2 semanas após a esplenectomia.
A antibioticoprofilaxia oral contínua (geralmente penicilina) é indicada para pacientes com alto risco de OPSI, como crianças pequenas (<5 anos), pacientes com imunodeficiências adicionais, ou aqueles que não receberam vacinação adequada. A duração varia, podendo ser por anos ou por toda a vida.
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