SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2015
Assinale a assertiva CORRETA acerca da terapia farmacológica da insuficiência cardíaca (IC).
Espironolactona na IC → Reduz fibrose miocárdica e melhora performance cardiovascular, impactando sobrevida.
A espironolactona, um antagonista da aldosterona, é um pilar no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr). Seus efeitos vão além da diurese, atuando na remodelação cardíaca ao reduzir a fibrose miocárdica, o que contribui para a melhora da função ventricular e da sobrevida.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa e progressiva, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para atender às demandas metabólicas do corpo. A terapia farmacológica da IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr) tem evoluído significativamente, com o objetivo de aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e, crucialmente, prolongar a sobrevida. Compreender o mecanismo de ação e os benefícios de cada classe de medicamentos é essencial para o manejo adequado dos pacientes. As principais classes de medicamentos que comprovadamente reduzem a mortalidade na ICFEr incluem os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA), os betabloqueadores e os antagonistas dos receptores mineralocorticoides (ARM), como a espironolactona. Os IECA e BRA atuam no sistema renina-angiotensina-aldosterona, reduzindo a vasoconstrição e a retenção de sódio. Os betabloqueadores modulam a ativação simpática crônica, que é deletéria para o miocárdio. A espironolactona, em particular, tem um papel fundamental. Além de seus efeitos diuréticos e poupadores de potássio, ela antagoniza os efeitos da aldosterona, que promove fibrose miocárdica, disfunção endotelial e remodelação ventricular adversa. Ao reduzir a síntese e o depósito de colágeno no miocárdio, a espironolactona diminui o grau de fibrose, melhora a performance cardiovascular e, consequentemente, a sobrevida dos pacientes com ICFEr. É importante ressaltar que, enquanto diuréticos de alça aliviam sintomas de congestão, eles não têm impacto direto na sobrevida, ao contrário das outras classes mencionadas.
Os IECA inibem a enzima conversora de angiotensina, reduzindo a produção de angiotensina II (vasoconstritor e pró-fibrótico) e a degradação da bradicinina (vasodilatador). Isso leva à vasodilatação, redução da pré e pós-carga e efeitos benéficos na remodelação cardíaca.
Os betabloqueadores reduzem a ativação simpática crônica, diminuindo a frequência cardíaca, melhorando o enchimento ventricular e protegendo o miocárdio de efeitos deletérios da catecolaminas. Eles melhoram a função ventricular esquerda e a sobrevida a longo prazo.
A espironolactona é um antagonista do receptor mineralocorticoide que bloqueia os efeitos da aldosterona. Além de ser um diurético poupador de potássio, ela reduz a fibrose miocárdica e vascular, melhora a função endotelial e diminui a remodelação ventricular, contribuindo para a melhora da sobrevida em pacientes com ICFEr.
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