UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Menina, 9a, realizou espirometria devido a episódios recorrentes de sibilância e dispneia. Os resultados da espirometria pré e pós-broncodilatador mostraram os seguintes dados principais: • CVF: Pré-broncodilatador 1,64L, pós-broncodilatador 1,73L (+5%); • FEV1: Pré-broncodilatador 1,35L, pós-broncodilatador 1,53L (+13%); • FEF 25-75%: Pré-broncodilatador 1,32 L/s, pós-broncodilatador 1,94 L/s (+46%). Qual é a interpretação da espirometria?
Aumento de VEF1 ≥ 12% pós-broncodilatador = Resposta significativa (sugere Asma).
A asma é definida pela obstrução variável ao fluxo aéreo. Na espirometria, um aumento do VEF1 (FEV1) ≥ 12% após broncodilatador confirma a reversibilidade, característica fundamental da doença.
A espirometria é a ferramenta diagnóstica essencial para avaliar a função pulmonar em crianças acima de 5-6 anos. Na asma, o exame busca demonstrar a limitação ao fluxo aéreo e sua reversibilidade. A reversibilidade é testada administrando-se um beta-2 agonista de curta duração (geralmente salbutamol 400mcg) e repetindo o teste após 15-20 minutos. No caso apresentado, o aumento de 13% no VEF1 preenche o critério de reversibilidade significativa (≥ 12%). O aumento expressivo no FEF 25-75% (46%) corrobora o envolvimento de pequenas vias aéreas. Esses achados, somados à clínica de sibilância e dispneia, confirmam o diagnóstico de asma brônquica, descartando padrões restritivos ou doenças irreversíveis.
Na pediatria, a resposta significativa ao broncodilatador é definida principalmente pelo aumento do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1 ou FEV1) em pelo menos 12% em relação ao valor pré-broncodilatador. Diferente dos adultos, onde também se exige um aumento absoluto de 200ml, em crianças o critério percentual é o mais fidedigno devido às variações de tamanho corporal. Esse aumento indica que a obstrução das vias aéreas é reversível, o que é um pilar diagnóstico para a asma brônquica. Outros parâmetros como o FEF 25-75% podem mostrar aumentos expressivos, mas o VEF1 permanece o padrão-ouro para definir reversibilidade clínica.
O padrão obstrutivo é caracterizado pela redução da relação VEF1/CVF (Índice de Tiffeneau) abaixo do limite inferior da normalidade (geralmente < 0,80-0,85 em crianças). Isso indica dificuldade em expelir o ar rapidamente. Já o padrão restritivo sugere uma redução na Capacidade Vital Forçada (CVF) com uma relação VEF1/CVF normal ou aumentada, indicando volumes pulmonares reduzidos. No entanto, a confirmação de restrição exige a medida dos volumes pulmonares estáticos (capacidade pulmonar total) por pletismografia, pois uma CVF reduzida também pode ocorrer em obstruções graves com aprisionamento de ar (pseudo-restrição).
O Fluxo Expiratório Forçado entre 25% e 75% da CVF (FEF 25-75%) reflete o fluxo nas pequenas vias aéreas. Embora seja um parâmetro muito sensível e frequentemente o primeiro a se alterar em doenças obstrutivas iniciais, ele apresenta alta variabilidade e baixa especificidade. Um aumento isolado e expressivo no FEF 25-75% após broncodilatador (como os 46% do caso) reforça a presença de hiperreatividade brônquica, mas o diagnóstico de reversibilidade deve ser baseado primariamente no VEF1. Ele é útil como um dado complementar para sugerir doença de pequenas vias aéreas quando o VEF1 ainda está dentro da normalidade.
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