Espectro de Placenta Acreta: Diagnóstico e Manejo

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025

Enunciado

Com relação às distopias placentárias e às condições do espectro de placenta acreta (EPA), todas as alternativas abaixo estão corretas, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Toda gestante com cirurgia uterina prévia e placenta de implantação anterior baixa deve realizar avaliação ultrassonográfica, entre 34 e 36 semanas de gestação, para localização placentária;
  2. B) Se, diante do diagnóstico de surpresa do EPA, as condições cirúrgicas ideais não estiverem presentes, o ato cirúrgico deve se restringir a histerotomia e extração fetal fora da área uterina invadida, seguido de histerorrafia com a placenta in situ e laparorrafia. A reabordagem cirúrgica definitiva deve ser realizada dentro de uma a duas semanas;
  3. C) Os achados de ultrassonografia mais comuns são a implantação do saco gestacional no segmento anterior e inferior do útero, e o desenvolvimento da placenta, próximo, sobre ou dentro da cicatriz de uma histerotomia prévia;
  4. D) Uma vez que, na abordagem cirúrgica, o tecido cicatricial é removido conjuntamente com os cotilédones placentários, membranas ovulares e miométrio acometido, a incidência do EPA nas gestações subsequentes não é significativa.

Pérola Clínica

Rastreio EPA em gestantes de risco (cirurgia uterina prévia + placenta baixa) deve ser precoce, não apenas 34-36 semanas.

Resumo-Chave

O diagnóstico precoce do espectro de placenta acreta é crucial para o planejamento do parto e manejo cirúrgico. A avaliação ultrassonográfica em gestantes de risco deve ser iniciada no segundo trimestre para identificar sinais de acretismo e permitir um acompanhamento adequado.

Contexto Educacional

O espectro de placenta acreta (EPA) é uma condição obstétrica grave caracterizada pela aderência anormal da placenta ao miométrio, com risco significativo de hemorragia periparto e morbimortalidade materna. Seus fatores de risco incluem cirurgias uterinas prévias, especialmente cesarianas, e placenta prévia. O diagnóstico precoce é fundamental para o planejamento adequado do parto e a redução de complicações. A avaliação ultrassonográfica é a principal ferramenta diagnóstica. Em gestantes com fatores de risco, a investigação deve ser iniciada no segundo trimestre, idealmente entre 18 e 24 semanas, e não apenas no final da gestação (34-36 semanas), como sugerido na alternativa incorreta. Achados ultrassonográficos incluem perda da zona hipoecoica retroplacentária, lacunas vasculares placentárias e fluxo turbulento em Doppler. O manejo do EPA exige uma equipe multidisciplinar e planejamento cuidadoso, frequentemente envolvendo parto cesariana com histerectomia periparto. Em situações de diagnóstico de surpresa ou condições cirúrgicas desfavoráveis, a conduta pode ser a extração fetal e fechamento uterino com a placenta in situ, postergando a histerectomia para um momento mais oportuno. A compreensão desses aspectos é vital para residentes de Ginecologia e Obstetrícia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o espectro de placenta acreta?

Os principais fatores de risco incluem cirurgia uterina prévia (especialmente cesariana), placenta prévia, idade materna avançada e multiparidade.

Quando deve ser realizada a avaliação ultrassonográfica para EPA em gestantes de risco?

A avaliação deve ser iniciada no segundo trimestre (idealmente entre 18-24 semanas) e repetida conforme a necessidade para monitorar a implantação placentária e identificar sinais de acretismo.

Qual a conduta em caso de diagnóstico de surpresa de EPA durante o parto?

Se as condições ideais não estiverem presentes, a conduta pode incluir a histerotomia e extração fetal fora da área invadida, seguida de histerorrafia com a placenta in situ e reabordagem cirúrgica definitiva em uma a duas semanas.

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