Placenta Acreta: Diagnóstico Ultrassonográfico e Achados Chave

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025

Enunciado

Paciente, 40 anos, GVI PIII (cesariana) AB II (com curetagem), assintomática, realizou ultrassonografia no primeiro trimestre que evidenciou saco gestacional localizado no segmento inferior e que evoluiu com a presença de placenta com lagos placentários com fluxos turbulentos ao Doppler, com adelgaçamento do miométrio e irregularidade na interface entre serosa uterina e bexiga no segundo trimestre. Tais achados são encontrados em qual das patologias:

Alternativas

  1. A) Placenta prévia parcial
  2. B) Espectro da placenta Acreta
  3. C) Doença trofoblástica gestacional
  4. D) Descolamento prematuro da placenta

Pérola Clínica

Placenta acreta → lagos placentários turbulentos, adelgaçamento miométrio, irregularidade interface útero-bexiga em USG.

Resumo-Chave

O espectro da placenta acreta é uma condição grave caracterizada pela aderência anormal da placenta ao miométrio. Fatores de risco incluem cesarianas e curetagens prévias. Os achados ultrassonográficos descritos são altamente sugestivos dessa patologia, indicando invasão placentária.

Contexto Educacional

O espectro da placenta acreta (EPA) é uma condição obstétrica grave, caracterizada pela aderência anormalmente profunda da placenta ao miométrio. Sua incidência tem aumentado globalmente, principalmente devido ao aumento das taxas de cesariana. É uma das principais causas de hemorragia pós-parto grave e histerectomia, com morbimortalidade materna e fetal significativas, tornando seu reconhecimento precoce fundamental para o planejamento do parto e manejo adequado. A fisiopatologia envolve um defeito na decídua basal, permitindo que as vilosidades coriônicas invadam o miométrio. O diagnóstico é primariamente ultrassonográfico, com achados característicos no segundo e terceiro trimestres, como a perda da zona hipoecoica retroplacentária, lagos placentários com fluxo turbulento ao Doppler, adelgaçamento do miométrio e irregularidades na interface útero-bexiga. A ressonância magnética pode ser utilizada como método complementar em casos selecionados. O tratamento do EPA é complexo e requer uma equipe multidisciplinar. O manejo ideal envolve o diagnóstico pré-natal, planejamento do parto em centro terciário com equipe experiente, e geralmente culmina em histerectomia periparto para controle da hemorragia. A tentativa de remoção manual da placenta é contraindicada devido ao risco de sangramento maciço. O prognóstico melhora significativamente com o diagnóstico precoce e manejo em centros especializados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o espectro da placenta acreta?

Os principais fatores de risco incluem cesarianas prévias, curetagens uterinas, placenta prévia e idade materna avançada. A história de cirurgias uterinas aumenta a chance de defeitos na decídua basal, facilitando a invasão placentária.

Quais achados ultrassonográficos sugerem o diagnóstico de placenta acreta?

Achados sugestivos incluem lagos placentários com fluxo turbulento ao Doppler, adelgaçamento ou perda da zona hipoecoica retroplacentária, adelgaçamento do miométrio e irregularidade na interface entre a serosa uterina e a bexiga.

Qual a diferença entre placenta acreta, increta e percreta?

A placenta acreta é a aderência anormal ao miométrio. A placenta increta envolve a invasão do miométrio. A placenta percreta é a invasão através de toda a espessura do miométrio, podendo atingir órgãos adjacentes como a bexiga.

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