PSU-ES - Processo Seletivo Unificado do Espírito Santo — Prova 2025
Paciente de 42 anos, G4P2A1, 2 cesarianas prévias, realizou ultrassonografia obstétrica com doppler, complementada por estudo transvaginal, que revelou gestação de 22/23 semanas, compatível com ultrassonografia do primeiro trimestre, morfologia sem alterações, líquido amniótico normal e placenta anterior, recobrindo completamente o orifício interno do colo, com presença de cinco espaços lacunares. Paciente sem comorbidades. Nesse contexto, assinale a alternativa CORRETA.
Placenta prévia + cesáreas prévias + espaços lacunares USG → Alta suspeita de Espectro Placenta Acreta.
A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para o espectro placenta acreta: placenta prévia (recobrindo o orifício interno do colo), antecedente de duas cesarianas prévias e achados ultrassonográficos sugestivos (cinco espaços lacunares). Esses achados indicam uma alta probabilidade de acretismo placentário, que exige um manejo especializado.
O espectro placenta acreta (EPA) é uma condição obstétrica grave caracterizada pela aderência anormalmente profunda da placenta à parede uterina, podendo invadir o miométrio (increta) ou até mesmo a serosa e órgãos adjacentes (percreta). Sua incidência tem aumentado significativamente devido ao aumento das taxas de cesariana, tornando-se um desafio clínico importante para residentes de ginecologia e obstetrícia. A fisiopatologia envolve um defeito na decídua basal, permitindo que as vilosidades coriônicas invadam o miométrio. Os principais fatores de risco são placenta prévia e antecedente de cesariana prévia. A combinação desses dois fatores aumenta exponencialmente o risco de acretismo. O diagnóstico pré-natal é fundamental para o planejamento adequado do parto e a redução da morbimortalidade materna. O diagnóstico é primariamente realizado por ultrassonografia, complementada por Doppler colorido e, em alguns casos, ressonância magnética. Achados como espaços lacunares intraplacentários, perda da zona clara retroplacentária e vascularização anormal na interface útero-bexiga são altamente sugestivos. O manejo do EPA é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar, com planejamento do parto em um centro de referência, geralmente por cesariana com histerectomia programada, para minimizar o risco de hemorragia maciça, que é a principal causa de morbimortalidade materna.
Os principais fatores de risco para o espectro placenta acreta incluem placenta prévia (especialmente se anterior), antecedente de cesariana prévia (o risco aumenta com o número de cesarianas), cirurgias uterinas prévias (miomectomia), curetagens uterinas e idade materna avançada. A combinação de placenta prévia e cesariana prévia é o fator de risco mais significativo.
Achados ultrassonográficos sugestivos incluem perda da zona hipoecoica retroplacentária (zona clara), presença de múltiplos espaços lacunares vasculares intraplacentários (aparência de 'queijo suíço'), adelgaçamento ou interrupção da serosa uterina-bexiga e vascularização anormal na interface útero-bexiga ao Doppler. O estudo transvaginal e o Doppler colorido são cruciais.
A principal complicação é a hemorragia maciça no momento do parto, devido à dificuldade de descolamento da placenta. O manejo requer uma equipe multidisciplinar, planejamento do parto em centro terciário, geralmente por cesariana com histerectomia em bloco (se a paciente não desejar preservar a fertilidade ou se o acretismo for extenso), e disponibilidade de hemoderivados. O parto vaginal é contraindicado devido ao alto risco de hemorragia.
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