FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Em relação ao espectro de acretismo placentário, assinale a alternativa correta:
Acretismo Placentário: USG Doppler é 1ª linha; principal risco = Cesárea prévia + Placenta Prévia.
O diagnóstico antenatal do espectro de acretismo placentário via Doppler é crucial para o planejamento cirúrgico multidisciplinar e redução da morbimortalidade materna.
O Espectro de Acretismo Placentário (PAS) tornou-se uma das principais causas de morbimortalidade materna e histerectomia periparto devido ao aumento global das taxas de cesariana. O diagnóstico precoce, idealmente no segundo ou terceiro trimestre, permite que o parto seja planejado em centros de referência com suporte de hemoterapia e equipe multidisciplinar. O manejo padrão ouro para casos confirmados é a histerectomia com a placenta in situ (cesárea-histerectomia), evitando qualquer tentativa de descolamento placentário. Em casos selecionados, o manejo conservador (deixar a placenta para reabsorção) pode ser discutido, mas carrega riscos elevados de infecção e hemorragia tardia.
O PAS refere-se à aderência mórbida da placenta ao miométrio devido a uma ausência parcial ou total da decídua basal. Divide-se em três graus de invasão: Placenta Acreta (vilosidades aderidas ao miométrio), Increta (vilosidades invadem o miométrio) e Percreta (vilosidades atravessam o miométrio, podendo atingir a serosa ou órgãos adjacentes, como a bexiga).
A ultrassonografia com Doppler colorido é o exame de primeira escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade, permitindo identificar lacunas placentárias, perda da zona hipoecoica retroplacentária e hipervascularização. A Ressonância Magnética (RM) é reservada para casos em que a ultrassonografia é inconclusiva ou quando há suspeita de invasão de órgãos posteriores ou parametriais, auxiliando no mapeamento cirúrgico.
O fator de risco mais significativo é a combinação de placenta prévia com cicatrizes uterinas anteriores (geralmente de cesarianas). Quanto maior o número de cesáreas prévias na presença de placenta prévia, maior o risco (chegando a >60% após 3 ou 4 cesáreas). Outros fatores incluem curetagens repetidas, miomectomias e idade materna avançada.
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