Espasticidade Pós-AVE: Definição e Impacto Clínico

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2021

Enunciado

Em alguns pacientes com acidente vascular encefálico, há desenvolvimento de espasticidade. Assinale a alternativa que contempla uma correta definição de espasticidade.

Alternativas

  1. A) A espasticidade é o aumento do tônus muscular involuntário, dependente da velocidade e que causa resistência ao movimento. A espasticidade pode ser dolorosa e debilitante.
  2. B) A espasticidade é o defeito de visão ou perda de metade do campo visual de um ou ambos os olhos.
  3. C) A espasticidade é a paralisia de metade sagital (esquerda ou direita) do corpo. É mais grave que hemiparesia que se refere apenas a dificuldade de movimentar metade do corpo.
  4. D) A espasticidades são oscilações rítmicas, repetidas e involuntárias de um ou ambos os olhos conjugadamente, nos sentidos: horizontal (de um lado para o outro), vertical (de cima para baixo) ou rotatório (movimentos circulares) que podem dificultar muito a focalização das imagens.

Pérola Clínica

Espasticidade = aumento do tônus muscular, velocidade-dependente, resistência ao movimento, comum pós-AVE.

Resumo-Chave

A espasticidade é uma das sequelas comuns do acidente vascular encefálico, caracterizada por um aumento do tônus muscular involuntário que é dependente da velocidade do movimento passivo. Isso resulta em resistência ao movimento e pode ser doloroso e debilitante, impactando a funcionalidade do paciente.

Contexto Educacional

A espasticidade é um componente da síndrome do neurônio motor superior, caracterizada por um aumento do tônus muscular involuntário. É uma sequela comum e debilitante de diversas condições neurológicas, com destaque para o acidente vascular encefálico (AVE), traumatismo cranioencefálico, esclerose múltipla e paralisia cerebral. Sua prevalência pós-AVE pode atingir até 30-40% dos pacientes, impactando significativamente a qualidade de vida e a capacidade funcional. Fisiopatologicamente, a espasticidade resulta de uma lesão nas vias descendentes do sistema nervoso central (córtex motor, tronco encefálico ou medula espinhal) que normalmente inibem os reflexos de estiramento. A perda dessa inibição leva a uma hiperexcitabilidade dos motoneurônios alfa e, consequentemente, a uma resposta exagerada ao estiramento muscular. Clinicamente, manifesta-se como resistência ao movimento passivo que é dependente da velocidade, muitas vezes acompanhada de hiperreflexia e clônus. O tratamento da espasticidade é multidisciplinar e visa reduzir a dor, melhorar a função e facilitar os cuidados. Inclui fisioterapia, terapia ocupacional, órteses, medicamentos orais (como baclofeno, tizanidina), injeções de toxina botulínica para espasticidade focal e, em casos selecionados, cirurgias (rizotomia dorsal seletiva, bombas de baclofeno intratecal). O prognóstico depende da causa subjacente e da intensidade da espasticidade, mas um manejo adequado pode melhorar significativamente a funcionalidade e o conforto do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre espasticidade e rigidez?

A espasticidade é um aumento do tônus muscular que é velocidade-dependente, ou seja, a resistência ao movimento aumenta com a velocidade do estiramento. A rigidez, por outro lado, é um aumento do tônus muscular que é constante em toda a amplitude do movimento e independente da velocidade.

Quais são as principais causas de espasticidade?

A espasticidade é uma manifestação da síndrome do neurônio motor superior e pode ser causada por lesões no cérebro ou medula espinhal, como acidente vascular encefálico (AVE), traumatismo cranioencefálico, esclerose múltipla, paralisia cerebral e lesões medulares.

Como a espasticidade é avaliada clinicamente?

A espasticidade é frequentemente avaliada usando escalas clínicas como a Escala Modificada de Ashworth, que quantifica a resistência ao movimento passivo de uma articulação. A avaliação também inclui a observação da postura, padrões de movimento e impacto nas atividades de vida diária.

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