Espasmos Infantis: Reconhecimento e Manejo Precoce na Pediatria

INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Menino, 5 meses, nascido de parto cesáreo a termo, Escala de Apgar 8/9, sem patologia de base, é levado à emergência por apresentar muitos sustos nos últimos 5 dias. Segundo o pai, os episódios se manifestam como: flexão do pescoço e braços e extensão das pernas; duram cerca de 10 segundos e se repetem. Durante o dia, ocorrem cerca de 15 desses episódios, sempre quando a criança está sendo acalentada para dormir. Exame físico: normal. A conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) realizar a investigação cardiológica, pois o quadro é sugestivo de síncope cardíaca
  2. B) orientar os pais que estes sustos são normais para a faixa etária e discutir estes movimentos com o pediatria que o acompanha ambulatorialmente.
  3. C) orientar os pais que estes sustos são consequência de refluxo gastroesofágico e iniciar medicação antirrefluxo
  4. D) realizar investigação neurológica precoce, pois caso não seja manejado pode evoluir para perda dos marcos de desenvolvimento

Pérola Clínica

Lactente com 'sustos' repetitivos ao adormecer (flexão pescoço/braços, extensão pernas) → Espasmos infantis (Síndrome de West).

Resumo-Chave

Os espasmos infantis, frequentemente associados à Síndrome de West, são crises epilépticas graves que se manifestam como flexões súbitas e repetitivas do tronco e membros, geralmente em salvas e ao despertar ou adormecer. A investigação neurológica precoce é crucial devido ao alto risco de comprometimento do desenvolvimento neuropsicomotor.

Contexto Educacional

Os espasmos infantis representam uma forma grave de epilepsia que afeta lactentes, geralmente entre 3 e 12 meses de idade, com pico de incidência por volta dos 6 meses. Eles são uma das manifestações da Síndrome de West, uma encefalopatia epiléptica que se caracteriza pela tríade de espasmos infantis, hipsarritmia no EEG e atraso ou regressão do desenvolvimento neuropsicomotor. A identificação precoce é vital devido ao impacto devastador no desenvolvimento cerebral da criança, sendo uma emergência neurológica. A fisiopatologia dos espasmos infantis é complexa e multifatorial, envolvendo disfunção de circuitos corticais e subcorticais, frequentemente associada a lesões cerebrais pré-existentes (sintomática) ou a causas genéticas/metabólicas (criptogênica/idiopática). Os episódios são breves, durando segundos, mas ocorrem em salvas e podem se repetir dezenas a centenas de vezes ao dia, impactando significativamente a qualidade de vida e o desenvolvimento. A suspeita clínica deve ser alta em qualquer lactente com movimentos súbitos e repetitivos, especialmente se associados a alterações do estado de consciência ou do desenvolvimento. A conduta mais adequada é a investigação neurológica imediata, incluindo EEG para identificar a hipsarritmia e neuroimagem (RM de crânio) para buscar etiologias estruturais. O tratamento visa controlar as crises e minimizar o impacto no desenvolvimento, sendo a vigabatrina e os corticosteroides (ACTH ou prednisona) as terapias de primeira linha. O prognóstico é variável, mas a intervenção precoce é fundamental para tentar preservar o máximo de função neurológica possível.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos que sugerem espasmos infantis em um lactente?

Os espasmos infantis são caracterizados por contrações musculares súbitas e simétricas, geralmente em salvas, que podem envolver flexão do pescoço e tronco, elevação dos braços e extensão das pernas. Frequentemente ocorrem ao despertar ou adormecer e podem ser confundidos com sustos ou cólicas.

Por que a investigação neurológica precoce é tão importante nos espasmos infantis?

A investigação neurológica precoce é crucial porque os espasmos infantis, especialmente quando parte da Síndrome de West, estão associados a um prognóstico neurológico desfavorável, incluindo atraso no desenvolvimento e deficiência intelectual. O tratamento rápido pode melhorar o controle das crises e o desfecho do desenvolvimento.

Qual é o exame diagnóstico mais importante para confirmar espasmos infantis?

O eletroencefalograma (EEG) é o exame diagnóstico mais importante. Ele tipicamente revela um padrão de hipsarritmia, que é um traçado caótico e desorganizado, considerado patognomônico da Síndrome de West. Outros exames de imagem cerebral, como a ressonância magnética, também são importantes para identificar a etiologia subjacente.

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