Espasmo Hemifacial: Diagnóstico e Etiologia Vascular

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 60 anos com contrações tônico-clônicas que se iniciaram na musculatura periocular à direita e em três meses evoluíram para toda a hemiface. Embora as contrações variem durante o dia, geralmente não a deixam dormir, pois "não param a noite". Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de um caso de blefaroespasmo essencial benigno.
  2. B) As contrações tendem a acometer progressivamente o lado contralateral e tornarem-se bilaterais e simétricas.
  3. C) Uma possível causa é compressão intracraniana vascular do nervo facial ipsilateral.
  4. D) Medicações que modulam produção de serotonina nos núcleos da base, embora não sejam completamente efetivas, auxiliam no controle das contrações.

Pérola Clínica

Espasmo hemifacial = contrações unilaterais que persistem durante o sono → sugere compressão vascular.

Resumo-Chave

O espasmo hemifacial caracteriza-se por contrações involuntárias unilaterais que não cessam durante o sono, diferenciando-se de tiques e do blefaroespasmo (que é bilateral). A causa mais comum é a compressão do nervo facial na sua zona de saída do tronco cerebral por uma alça vascular.

Contexto Educacional

O espasmo hemifacial é uma desordem neuromuscular caracterizada por espasmos tônicos ou clônicos intermitentes e involuntários dos músculos inervados pelo nervo facial ipsilateral. Clinicamente, inicia-se frequentemente no músculo orbicular dos olhos e progride para envolver outros músculos da hemiface, como o bucinador e o platisma. Diferente de outras hipercinesias faciais, sua persistência durante o sono é um marcador clínico crucial para o diagnóstico. A fisiopatologia envolve a hiperexcitabilidade do núcleo do nervo facial ou a transmissão efática entre fibras nervosas desmielinizadas no local da compressão vascular. Exames de imagem, como a ressonância magnética com sequências específicas para nervos cranianos (CISS ou FIESTA), são fundamentais para identificar o conflito neurovascular e excluir causas secundárias, como tumores do ângulo pontocerebelar ou desmielinização.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar espasmo hemifacial de blefaroespasmo?

A principal diferença reside na lateralidade e no comportamento durante o sono. O espasmo hemifacial é quase invariavelmente unilateral e as contrações persistem mesmo quando o paciente está dormindo. Já o blefaroespasmo essencial benigno é uma distonia focal bilateral e simétrica que desaparece durante o sono e pode ser desencadeada por estímulos luminosos ou estresse.

Qual a principal causa do espasmo hemifacial?

A etiologia mais frequente é a compressão mecânica do nervo facial (VII par craniano) em sua zona de saída (root exit zone) no tronco encefálico. Geralmente, essa compressão é causada por uma alça vascular ectasiada, como a artéria cerebelar inferior anterior (AICA) ou a artéria cerebelar inferior posterior (PICA).

Qual o tratamento de escolha para espasmo hemifacial?

O tratamento clínico de primeira linha é a aplicação local de toxina botulínica, que oferece alívio sintomático temporário. Em casos refratários ou quando se busca cura definitiva, a cirurgia de descompressão microvascular (procedimento de Jannetta) é indicada para afastar a alça vascular do nervo facial.

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