Tratamento da Esotropia Comitante: Riscos e Condutas

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014

Enunciado

Com relação ao tratamento cirúrgico da esotropia comitante adquirida, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A alta hipermetropia é considerada fator de risco para exotropia consecutiva.
  2. B) O resultado desejável no pós-operatório imediato é a exotropia de 10 a 15 dioptrias prismáticas para obtenção de sucesso cirúrgico a longo prazo.
  3. C) Deve ser realizado retrocesso de pelo menos um músculo reto medial de no mínimo 7,0mm.
  4. D) Pacientes com boa acuidade visual bilateral têm maior probabilidade de evoluir para exotropia consecutiva do que aqueles com ambliopia profunda.

Pérola Clínica

Hipermetropia alta → ↑ Risco de exotropia consecutiva pós-correção de esotropia.

Resumo-Chave

O planejamento cirúrgico da esotropia deve considerar o erro refrativo; pacientes com alta hipermetropia têm maior risco de desvio divergente (exotropia) após o procedimento.

Contexto Educacional

A esotropia comitante adquirida é uma forma de estrabismo onde o ângulo de desvio permanece constante em diferentes posições do olhar. O tratamento cirúrgico visa restaurar o alinhamento ocular e, se possível, a binocularidade. O planejamento envolve o enfraquecimento dos músculos retos mediais (retrocesso) ou o fortalecimento dos retos laterais (ressecção). A relação entre acomodação e convergência é fundamental. Em pacientes hipermétropes, a correção óptica total deve ser testada antes da cirurgia (esotropia acomodativa). Naqueles em que a cirurgia é indicada, a presença de alta hipermetropia (> +4.00 ou +5.00 dioptrias) exige cautela, pois esses pacientes são estatisticamente mais propensos a desenvolver exotropia consecutiva anos após o procedimento, especialmente se houver perda do esforço acomodativo com a idade ou mudanças na prescrição dos óculos.

Perguntas Frequentes

O que é exotropia consecutiva?

A exotropia consecutiva é o surgimento de um desvio ocular divergente (para fora) em um paciente que anteriormente apresentava esotropia (desvio para dentro), geralmente após intervenção cirúrgica ou correção óptica. É considerada uma complicação ou um resultado indesejado a longo prazo do tratamento do estrabismo convergente.

Por que a alta hipermetropia é um fator de risco?

Pacientes com alta hipermetropia utilizam a acomodação excessiva para enxergar, o que desencadeia a convergência acomodativa. Se a esotropia é corrigida cirurgicamente sem considerar esse componente, ou se o paciente para de usar a correção hipermetrópica necessária no pós-operatório, o relaxamento da acomodação pode levar a uma divergência excessiva, resultando em exotropia consecutiva.

Qual o objetivo do alinhamento no pós-operatório imediato?

Diferente do que sugere o erro comum de buscar exotropia, o objetivo ideal na maioria das cirurgias de esotropia é o ortoposicionamento (alinhamento perfeito) ou uma leve hipocorreção (pequena esotropia residual). Uma exotropia significativa no pós-operatório imediato é um preditor de insucesso e necessidade de reintervenção.

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