CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
É uma possível causa de esotropia com caráter comitante:
Esotropia comitante = ângulo de desvio constante em todas as posições do olhar.
A esotropia comitante é característica de estrabismos primários, como a congênita, onde não há restrição mecânica ou paralisia muscular limitando o movimento ocular.
A diferenciação entre estrabismos comitantes e incomitantes é o primeiro passo na avaliação da motilidade ocular. Estrabismos comitantes sugerem causas primárias de desequilíbrio sensorial ou motor central, enquanto a incomitância aponta para causas neurogênicas (paralisias), miogênicas (miastenia gravis) ou restritivas (doença de Graves, fraturas de órbita). A esotropia congênita é o protótipo do desvio comitante na infância, exigindo diagnóstico precoce para evitar ambliopia profunda e permitir o desenvolvimento visual adequado.
Um estrabismo é definido como comitante quando a magnitude do desvio ocular (medida em dioptrias prismáticas) permanece constante, ou varia muito pouco (geralmente menos de 5 dioptrias), independentemente da direção do olhar ou de qual olho está fixando. Isso indica que a inervação e a função dos músculos extraoculares estão equilibradas, embora o alinhamento esteja incorreto. É a forma mais comum de estrabismo na infância, como a esotropia essencial infantil e a esotropia acomodativa.
A paralisia do sexto nervo craniano (nervo abducente) afeta o músculo reto lateral, responsável pela abdução do olho. Como resultado, o olho afetado não consegue realizar o movimento para fora adequadamente. O desvio (esotropia) torna-se muito maior quando o paciente tenta olhar para o lado do músculo paralisado (incomitância). Diferente da esotropia congênita, onde o desvio é igual em todas as posições, na paralisia nervosa há uma limitação clara de movimento e variação angular.
A esotropia congênita, ou essencial infantil, manifesta-se geralmente nos primeiros seis meses de vida. Caracteriza-se por um desvio para dentro (esotropia) de grande ângulo, que é tipicamente comitante. Frequentemente está associada a outras alterações da motilidade ocular, como a divergência vertical dissociada (DVD), hiperfunção de músculos oblíquos inferiores e nistagmo latente. O tratamento é predominantemente cirúrgico para buscar o alinhamento motor e o desenvolvimento de alguma forma de binocularidade.
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