Esotropia em V: Conduta na Hiperfunção de Oblíquos Inferiores

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 5 anos apresenta esotropia de 20 DP em posição primária do olhar, 4 DP em supraversão e 35 DP em infraversão. Ao exame das versões, apresenta hiperfunção do músculo oblíquo inferior em ambos os olhos. Refração: plano em ambos os olhos. Nunca foi operado. Qual alternativa contém a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Recuo dos músculos retos mediais e oblíquos inferiores.
  2. B) Recuo dos músculos retos mediais com transposição superior das suas inserções.
  3. C) Ressecção dos músculos retos laterais com transposição inferior das suas inserções.
  4. D) Ressecção dos músculos retos laterais e recuo dos músculos oblíquos superiores.

Pérola Clínica

Esotropia em V (dif. ≥15 DP infra > supra) + hiperfunção de OI → Recuo de OI + Retos Mediais.

Resumo-Chave

O padrão em V na esotropia é caracterizado por um aumento da convergência na infraversão. Quando associado à hiperfunção de oblíquos inferiores, o tratamento cirúrgico deve abordar tanto o desvio horizontal quanto a disfunção dos oblíquos.

Contexto Educacional

O manejo das anisotropias em 'V' ou 'A' é um pilar fundamental da estrabologia. No padrão em V, a esotropia é mais acentuada no olhar para baixo, o que é particularmente debilitante para atividades como leitura. A associação com a hiperfunção dos oblíquos inferiores é clássica e deve ser pesquisada através do exame das versões, observando-se a elevação do olho em adução. O tratamento cirúrgico visa a ortotropia na posição primária e a eliminação da anisotropia. O recuo bilateral dos retos mediais trata a esotropia de base (20 DP), enquanto o recuo dos oblíquos inferiores trata a causa da variação vertical. Em casos sem disfunção de oblíquos, a transposição das inserções dos retos (Mnemonic: M-down para V-esotropia) seria a alternativa.

Perguntas Frequentes

O que define um padrão em V no estrabismo?

O padrão em V é uma forma de anisotropia onde a magnitude do desvio horizontal muda significativamente entre a supraversão e a infraversão. Clinicamente, é definido por uma diferença de pelo menos 15 dioptrias prismáticas (DP) entre essas posições, sendo a esotropia maior na infraversão ou a exotropia maior na supraversão. Frequentemente está associado à hiperfunção dos músculos oblíquos inferiores, que atuam como abdutores na supraversão, reduzindo a esotropia nessa posição.

Por que recuar os oblíquos inferiores na esotropia em V?

O recuo dos músculos oblíquos inferiores é indicado quando há hiperfunção clínica documentada desses músculos associada ao padrão em V. Como os oblíquos inferiores têm uma ação secundária de abdução que é mais pronunciada na supraversão, sua hiperfunção 'abre' o desvio superiormente. Ao enfraquecê-los cirurgicamente, reduz-se essa abdução excessiva na supraversão, ajudando a colapsar a diferença entre as posições do olhar e estabilizar o desvio vertical secundário.

Qual a conduta se não houvesse hiperfunção de oblíquos?

Se o paciente apresentasse um padrão em V significativo (diferença ≥ 15 DP), mas sem hiperfunção de oblíquos inferiores, a conduta cirúrgica envolveria a transposição vertical das inserções dos músculos retos mediais. No caso da esotropia em V, os retos mediais seriam transpostos para baixo ('para onde se quer fechar o V'). Como o caso clínico descreve explicitamente a hiperfunção de OI, o recuo destes é a técnica de escolha.

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