HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
Paciente de 57 anos, portador de esofagite de refluxo há vários anos, teve indicado o tratamento cirúrgico, que foi recusado pelo mesmo e abandonou o tratamento recomendado. Agora retorna com recidiva dos sintomas de pirose, epigastralgia e regurgitação. O médico decide iniciar alguns exames para avaliação da doença do refluxo gastroesofágico. O paciente realizou endoscopia digestiva alta, que evidenciou esofagite com epitélio colunar de 2,5 cm em esôfago cuja biópsia identificou um epitélio de Barrett de baixo grau. Pesquisa H. pylori foi positiva. Baseado nos dados acima marque a alternativa CORRETA:
Cirurgia antirrefluxo pode impedir progressão do Esôfago de Barrett para neoplasia, mas não garante desaparecimento do Barrett ou erradicação de H. pylori para sucesso da DRGE.
A cirurgia antirrefluxo, ao controlar o refluxo gastroesofágico, pode reduzir o risco de progressão do Esôfago de Barrett para adenocarcinoma, mas não é uma cura para o Barrett em si. A erradicação do H. pylori não é o pilar do tratamento da DRGE ou do Barrett, e a ressecção cirúrgica não é a conduta inicial para Barrett de baixo grau.
O Esôfago de Barrett (EB) é uma condição pré-maligna que surge como complicação da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) crônica. A presença de displasia, mesmo de baixo grau, indica um risco aumentado de progressão para adenocarcinoma esofágico. O manejo desses pacientes é complexo e envolve o controle dos sintomas de refluxo, a vigilância endoscópica e a consideração de intervenções para prevenir a progressão neoplásica. O tratamento clínico com inibidores de bomba de prótons (IBP) é a base para o controle da DRGE e a cicatrização da esofagite, mas não garante a regressão do EB. A cirurgia antirrefluxo, como a fundoplicatura, pode ser considerada em pacientes selecionados com DRGE refratária ao tratamento clínico ou que desejam evitar o uso contínuo de medicamentos. Embora a cirurgia possa melhorar os sintomas e reduzir a exposição do esôfago ao refluxo, ela não elimina completamente o EB e seu papel na prevenção do câncer ainda é debatido, mas pode impedir a progressão para neoplasia em alguns casos. A erradicação do Helicobacter pylori é importante para outras condições gastrointestinais, como úlceras pépticas e câncer gástrico, mas não é considerada um tratamento primário para a DRGE ou para a regressão do EB. De fato, em alguns pacientes, a erradicação pode levar a um aumento da acidez gástrica e, paradoxalmente, piorar os sintomas de refluxo. A conduta para EB com displasia de baixo grau geralmente envolve otimização do IBP e vigilância endoscópica, com ablação endoscópica sendo uma opção em casos selecionados e confirmados após revisão por patologistas experientes.
A cirurgia antirrefluxo, como a fundoplicatura, tem como objetivo controlar o refluxo gastroesofágico. Embora possa reduzir o risco de progressão do Esôfago de Barrett para neoplasia, ela geralmente não causa o desaparecimento completo do epitélio de Barrett já estabelecido.
A erradicação do H. pylori é recomendada para pacientes com infecção confirmada devido ao risco de úlcera péptica e câncer gástrico. No entanto, não é considerada indispensável para o sucesso do tratamento da DRGE ou para a regressão do Esôfago de Barrett, e em alguns casos, pode até exacerbar o refluxo.
Para Esôfago de Barrett de baixo grau, a conduta inicial geralmente envolve otimização do tratamento clínico com inibidores de bomba de prótons (IBP) e vigilância endoscópica rigorosa com biópsias repetidas para confirmar o diagnóstico e monitorar a progressão. A cirurgia de ressecção não é a primeira linha de tratamento.
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