Esôfago de Barrett: Complicações e Quimioprofilaxia

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2022

Enunciado

Com relação às complicações da doença do refluxo gastroesofágico, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O uso de anti-inflamatórios não hormonais pode ter um efeito profilático no desenvolvimento de adenocarcinoma em pacientes portadores de esôfago de Barrett.
  2. B) O diagnóstico de esôfago de Barrett é confirmado através da visualização endoscópica de epitélio metaplásico substituindo o epitélio escamoso do esôfago.
  3. C) O achado endoscópico de úlceras esofágicas profundas é típico da doença do refluxo gastroesofágico.
  4. D) O esôfago distal é a sede das estenoses pépticas com, geralmente, mais de 3cm.

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett → risco ↑ adenocarcinoma esofágico; AINEs podem ter efeito quimioprofilático.

Resumo-Chave

O Esôfago de Barrett é uma complicação da DRGE crônica, caracterizada por metaplasia intestinal, que aumenta o risco de adenocarcinoma esofágico. Estudos sugerem que o uso de AINEs, como a aspirina, pode reduzir esse risco devido aos seus efeitos anti-inflamatórios e antiproliferativos.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett (EB) é uma complicação da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) crônica, caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes (metaplasia intestinal especializada). Sua importância clínica reside no fato de ser a principal lesão precursora do adenocarcinoma esofágico, um câncer com prognóstico desfavorável. A prevalência do EB varia, sendo mais comum em homens brancos com DRGE de longa data. O diagnóstico do EB é estabelecido por endoscopia digestiva alta com biópsias sistemáticas, que confirmam a presença de metaplasia intestinal especializada. A visualização endoscópica de epitélio colunar acima da junção esofagogástrica é sugestiva, mas não diagnóstica por si só. O manejo envolve o controle da DRGE com inibidores de bomba de prótons (IBP) e vigilância endoscópica regular para detectar displasia ou adenocarcinoma em estágios iniciais. A quimioprofilaxia com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como a aspirina, tem sido estudada como uma estratégia para reduzir o risco de progressão para adenocarcinoma em pacientes com EB. Embora alguns estudos sugiram um benefício, especialmente em pacientes com displasia, o uso rotineiro de AINEs para essa finalidade ainda não é universalmente recomendado devido aos potenciais efeitos adversos e à necessidade de individualização da conduta.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para o Esôfago de Barrett?

O Esôfago de Barrett geralmente não causa sintomas específicos além dos da DRGE. A suspeita surge em pacientes com DRGE crônica, especialmente homens brancos acima de 50 anos, e o diagnóstico é feito por endoscopia com biópsias.

Por que os AINEs podem ser usados na quimioprofilaxia do adenocarcinoma esofágico em Barrett?

Os AINEs, como a aspirina, possuem propriedades anti-inflamatórias e antiproliferativas que podem inibir a progressão da metaplasia para displasia e adenocarcinoma, embora seu uso rotineiro ainda seja debatido e individualizado.

Qual a diferença entre metaplasia e displasia no Esôfago de Barrett?

Metaplasia é a substituição do epitélio escamoso por epitélio colunar intestinal. Displasia é a presença de alterações arquiteturais e citológicas anormais dentro da metaplasia, indicando um risco maior de progressão para câncer.

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