Esôfago de Barrett e GLP-1: Impacto no Manejo da DRGE

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 40 anos, com história de pirose retroesternal e regurgitação há anos, realiza endoscopia digestiva alta. Sem comorbidades conhecidas, sem história de tratamento cirúrgico ou medicamentoso. Exame clínico: IMC = 36 kg/m². Sem outras alterações. Endoscopia: esofagite erosiva Los Angeles A. No esôfago distal, notam-se pregueados digitiformes sugestivos de Barrett (C2M3). Biópsia com metaplasia intestinal e sem sinais de displasia. Assinale a alternativa correta a respeito do caso:

Alternativas

  1. A) O melhor tratamento envolve uso de inibidor do canal de potássio com procinético, visando a maior controle sintomático e regressão do Barrett.
  2. B) Deve-se indicar fundoplicatura laparoscópica, com o objetivo de reduzir refluxo e eliminar o risco futuro de adenocarcinoma de esôfago.
  3. C) O uso de agonistas de GLP-1 pode piorar o quadro esofágico.
  4. D) Deve-se programar derivação gástrica em Y-de-Roux (bypass gástrico), visando ao controle do refluxo e à redução ponderal como estratégia de primeira escolha.
  5. E) Realizar ablação endoscópica por radiofrequência, seguida de manutenção com inibidor de bomba de próton, para prevenir progressão para adenocarcinoma.

Pérola Clínica

Agonistas de GLP-1 → ↓ esvaziamento gástrico → ↑ refluxo gastroesofágico e sintomas de pirose.

Resumo-Chave

O manejo do Barrett sem displasia foca no controle do refluxo. Agonistas de GLP-1, embora úteis na obesidade, podem exacerbar a DRGE por retardar o esvaziamento gástrico.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett é uma complicação da DRGE crônica caracterizada pela substituição do epitélio escamoso por colunar com metaplasia intestinal. Em pacientes obesos (IMC > 35), a pressão intra-abdominal aumentada agrava o refluxo. Embora o bypass gástrico seja uma excelente opção terapêutica para ambos os problemas, a introdução de agonistas de GLP-1 (como semaglutida) para perda de peso deve ser feita com cautela, pois o retardo no esvaziamento gástrico é um efeito colateral conhecido que pode exacerbar sintomas esofágicos. O diagnóstico de Barrett sem displasia requer apenas acompanhamento endoscópico e otimização do tratamento antirrefluxo, reservando terapias ablativas para casos com displasia confirmada.

Perguntas Frequentes

Como os agonistas de GLP-1 afetam o refluxo?

Eles retardam o esvaziamento gástrico e podem reduzir a pressão do esfíncter esofágico inferior, o que aumenta o tempo de exposição do esôfago ao ácido, piorando a pirose e regurgitação em pacientes com DRGE pré-existente.

Qual a conduta no Esôfago de Barrett sem displasia?

O manejo padrão envolve o controle agressivo do refluxo com IBP e vigilância endoscópica periódica (geralmente a cada 3-5 anos), sem necessidade de ablação imediata, visando detectar precocemente qualquer progressão para displasia.

O bypass gástrico é indicado para DRGE em obesos?

Sim, o bypass gástrico em Y-de-Roux é a cirurgia bariátrica de escolha para pacientes com obesidade mórbida e DRGE grave, pois reduz drasticamente a produção de ácido e o refluxo, sendo superior à gastrectomia vertical (Sleeve) nesses casos.

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