Esôfago de Barrett com Displasia de Alto Grau: Qual o Tratamento?

UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 60 anos com sintomas recorrentes de refluxo gastroesofágico foi submetido à endoscopia digestiva alta que mostrou esôfago de Barret de 3 cm de extensão, cuja biópsia descreveu metaplasia intestinal com displasia de alto grau.Assinale a alternativa que indica corretamente o tratamento mais apropriado para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Realizar esofagectomia
  2. B) Realizar cirurgia antirrefluxo
  3. C) Observação e endoscopia anualmente
  4. D) Observação com biópsia de seis em seis meses
  5. E) Tratamento prolongado com inibidor da bomba de prótons (IBP)

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett com displasia de alto grau → alto risco de adenocarcinoma → considerar esofagectomia ou ablação endoscópica.

Resumo-Chave

A presença de displasia de alto grau em Esôfago de Barrett indica um risco muito elevado de progressão para adenocarcinoma esofágico. Nesses casos, a esofagectomia é uma opção curativa, embora a ablação endoscópica seja cada vez mais utilizada como alternativa menos invasiva, dependendo da extensão e características da lesão.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett (EB) é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar especializado com metaplasia intestinal, resultado da exposição crônica ao refluxo gastroesofágico. A principal preocupação com o EB é o risco de progressão para adenocarcinoma esofágico, um câncer agressivo com prognóstico reservado. A displasia é o principal marcador histológico de risco. A displasia de alto grau (DAG) no EB representa um estágio avançado da progressão neoplásica, com alterações celulares significativas e arquitetura glandular distorcida. O risco de adenocarcinoma invasivo já estar presente ou se desenvolver em curto prazo é substancialmente alto. Por isso, a detecção de DAG exige uma abordagem terapêutica agressiva. As opções de tratamento para EB com DAG incluem a esofagectomia, que é curativa mas invasiva, e as terapias endoscópicas ablativas ou ressectivas. A ablação por radiofrequência (ARF) e a ressecção endoscópica da mucosa (REM) são cada vez mais preferidas para lesões não invasivas, oferecendo boa eficácia com menor morbidade. A escolha da terapia depende da avaliação cuidadosa da extensão da displasia, presença de nódulos e condições clínicas do paciente. O tratamento com IBP é mantido para controle do refluxo, mas não é suficiente para tratar a displasia.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da displasia de alto grau no Esôfago de Barrett?

A displasia de alto grau é considerada a lesão pré-maligna mais avançada no Esôfago de Barrett, com um risco anual de progressão para adenocarcinoma esofágico de até 6% ou mais, exigindo intervenção.

Quais são as opções de tratamento para Esôfago de Barrett com displasia de alto grau?

As principais opções incluem a esofagectomia (cirurgia), ablação endoscópica (radiofrequência, crioablação) e ressecção endoscópica da mucosa para lesões focais. A escolha depende da extensão e características da displasia.

Quando a cirurgia antirrefluxo ou o IBP são indicados no Esôfago de Barrett?

A cirurgia antirrefluxo pode ser considerada para controle dos sintomas de refluxo, mas não elimina o risco de progressão para câncer. O IBP é fundamental para suprimir a acidez e reduzir a inflamação, mas não trata a displasia de alto grau em si.

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