UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2022
Um paciente de 60 anos com sintomas recorrentes de refluxo gastroesofágico foi submetido à endoscopia digestiva alta que mostrou esôfago de Barret de 3 cm de extensão, cuja biópsia descreveu metaplasia intestinal com displasia de alto grau.Assinale a alternativa que indica corretamente o tratamento mais apropriado para esse paciente.
Esôfago de Barrett com displasia de alto grau → alto risco de adenocarcinoma → considerar esofagectomia ou ablação endoscópica.
A presença de displasia de alto grau em Esôfago de Barrett indica um risco muito elevado de progressão para adenocarcinoma esofágico. Nesses casos, a esofagectomia é uma opção curativa, embora a ablação endoscópica seja cada vez mais utilizada como alternativa menos invasiva, dependendo da extensão e características da lesão.
O Esôfago de Barrett (EB) é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar especializado com metaplasia intestinal, resultado da exposição crônica ao refluxo gastroesofágico. A principal preocupação com o EB é o risco de progressão para adenocarcinoma esofágico, um câncer agressivo com prognóstico reservado. A displasia é o principal marcador histológico de risco. A displasia de alto grau (DAG) no EB representa um estágio avançado da progressão neoplásica, com alterações celulares significativas e arquitetura glandular distorcida. O risco de adenocarcinoma invasivo já estar presente ou se desenvolver em curto prazo é substancialmente alto. Por isso, a detecção de DAG exige uma abordagem terapêutica agressiva. As opções de tratamento para EB com DAG incluem a esofagectomia, que é curativa mas invasiva, e as terapias endoscópicas ablativas ou ressectivas. A ablação por radiofrequência (ARF) e a ressecção endoscópica da mucosa (REM) são cada vez mais preferidas para lesões não invasivas, oferecendo boa eficácia com menor morbidade. A escolha da terapia depende da avaliação cuidadosa da extensão da displasia, presença de nódulos e condições clínicas do paciente. O tratamento com IBP é mantido para controle do refluxo, mas não é suficiente para tratar a displasia.
A displasia de alto grau é considerada a lesão pré-maligna mais avançada no Esôfago de Barrett, com um risco anual de progressão para adenocarcinoma esofágico de até 6% ou mais, exigindo intervenção.
As principais opções incluem a esofagectomia (cirurgia), ablação endoscópica (radiofrequência, crioablação) e ressecção endoscópica da mucosa para lesões focais. A escolha depende da extensão e características da displasia.
A cirurgia antirrefluxo pode ser considerada para controle dos sintomas de refluxo, mas não elimina o risco de progressão para câncer. O IBP é fundamental para suprimir a acidez e reduzir a inflamação, mas não trata a displasia de alto grau em si.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo