Esôfago de Barrett e Displasia: Risco de Adenocarcinoma

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Analise as afirmativas a seguir considerando a relação entre Esôfago de Barret e displasia, e assinale a alternativa CORRETA. I. Apesar de a acurácia e a confiabilidade do diagnóstico histopatológico de displasia no Esôfago de Barret serem questionáveis, demonstrou-se que o grau de displasia é o fator preditivo isolado mais importante na avaliação do risco de adenocarcinoma invasivo na evolução do Esôfago de Barret. II. A frequência de displasia associada ao Esôfago de Barret fica ao redor de 10%, sendo observada apenas no epitélio metaplásico intestinal. III. Os pacientes com Esôfago de Barret associado à neoplasia intraepitelial de alto grau têm grande risco de apresentarem focos de adenocarcinoma e, nesses casos, erros de amostragem podem ocorrer mesmo com a realização de múltiplas biópsias. IV. Recomenda-se, para o rastreamento de câncer de esôfago em pacientes com Esôfago de Barret sem displasia identificável, a realização de exames endoscópicos a cada dois ou três anos.

Alternativas

  1. A) Apenas II, III e IV estão corretas.
  2. B) Apenas III e IV estão corretas.
  3. C) I, II, III e IV estão corretas.
  4. D) Apenas II e IV estão corretas.
  5. E) Nenhuma das alternativas anteriores.

Pérola Clínica

Grau de displasia = fator preditivo mais importante para adenocarcinoma invasivo em Esôfago de Barrett; rastreamento sem displasia a cada 2-3 anos.

Resumo-Chave

O Esôfago de Barrett com displasia, especialmente de alto grau, confere um risco significativamente elevado de progressão para adenocarcinoma esofágico. A vigilância endoscópica regular com múltiplas biópsias é essencial, mesmo com o risco de erros de amostragem, para detecção precoce e manejo adequado.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett (EB) é uma condição pré-maligna caracterizada pela metaplasia intestinal do epitélio escamoso do esôfago distal, geralmente como complicação crônica da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Sua importância clínica reside no risco aumentado de progressão para adenocarcinoma esofágico, um câncer com prognóstico geralmente reservado. A displasia, uma alteração histopatológica que reflete a progressão neoplásica, é o principal marcador de risco neste contexto. A fisiopatologia envolve a exposição crônica do esôfago ao ácido e bile, levando à substituição do epitélio escamoso por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias, que devem ser múltiplas e sistemáticas para detectar displasia. O grau de displasia (baixo ou alto) é o fator preditivo mais relevante para o risco de adenocarcinoma. A neoplasia intraepitelial de alto grau é considerada um precursor direto do adenocarcinoma invasivo, com alta probabilidade de coexistência de focos de câncer. O manejo do EB varia conforme a presença e o grau de displasia. Pacientes sem displasia requerem vigilância endoscópica periódica (a cada 2-3 anos). Com displasia de baixo grau, a vigilância é mais intensiva ou pode-se considerar ablação endoscópica. Para displasia de alto grau ou adenocarcinoma precoce, a ablação endoscópica (radiofrequência, ressecção endoscópica da mucosa) é a abordagem preferencial, com cirurgia reservada para casos selecionados. A erradicação do H. pylori, embora importante para úlceras, não demonstrou reverter o EB ou reduzir o risco de câncer, e seu papel na DRGE é complexo.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do grau de displasia no Esôfago de Barrett?

O grau de displasia é o fator preditivo isolado mais importante para o risco de desenvolvimento de adenocarcinoma invasivo. Quanto maior o grau de displasia (baixo grau, alto grau), maior o risco de progressão para câncer.

Com que frequência deve ser realizado o rastreamento em pacientes com Esôfago de Barrett sem displasia?

Para pacientes com Esôfago de Barrett sem displasia identificável, as diretrizes recomendam a realização de exames endoscópicos com biópsias a cada dois ou três anos para monitorar a possível progressão da metaplasia.

Por que podem ocorrer erros de amostragem em biópsias de Esôfago de Barrett com displasia de alto grau?

Erros de amostragem podem ocorrer porque a displasia de alto grau e focos de adenocarcinoma invasivo podem ser multifocais e não contíguos, tornando difícil a detecção em biópsias aleatórias, mesmo que múltiplas. Isso ressalta a importância de protocolos de biópsia padronizados.

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