UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Homem de 57 anos apresenta doença do refluxo gastroesofágico há 30 anos e faz uso de omeprazol há 25 anos. Possui, como comorbidades, fibrose pulmonar idiopática, hipertensão arterial sistêmica, diabetes tipo II, IMC = 31 com predomínio de gordura visceral e fibrilação atrial crônica. A última endoscopia evidenciou displasia de baixo grau na portação distal esofageana e junção esofagogástrica de 8cm acima do pinçamento diafragmático, sem dismotilidade esofageana associada. De acordo com o caso apresentado: Informe o comportamento evolutivo da displasia de baixo grau após o procedimento cirúrgico.
Displasia de baixo grau em Esôfago de Barrett pós-cirurgia anti-refluxo → pode regredir, persistir ou progredir; vigilância endoscópica é essencial.
A displasia de baixo grau no Esôfago de Barrett, mesmo após cirurgia anti-refluxo, tem um comportamento evolutivo variável. Embora a cirurgia possa reduzir o refluxo e, em alguns casos, levar à regressão da displasia, a persistência ou progressão para displasia de alto grau ou adenocarcinoma ainda é possível, exigindo vigilância endoscópica contínua.
O Esôfago de Barrett é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes, resultante da exposição crônica ao refluxo gastroesofágico. A displasia de baixo grau é uma alteração histológica que indica um risco aumentado de progressão para displasia de alto grau e adenocarcinoma esofágico. A fisiopatologia envolve a inflamação crônica e o estresse oxidativo induzidos pelo refluxo, que levam à metaplasia e, posteriormente, à displasia. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias. O paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco para DRGE e suas complicações, incluindo longa duração da doença, uso crônico de IBP, IMC elevado e comorbidades. Após o procedimento cirúrgico anti-refluxo, como a fundoplicatura, o objetivo é controlar o refluxo e, consequentemente, a inflamação. Em relação à displasia de baixo grau, a literatura mostra que a cirurgia pode levar à regressão em alguns casos, mas a persistência ou até mesmo a progressão para displasia de alto grau ou adenocarcinoma ainda é possível. Portanto, a vigilância endoscópica com biópsias seriadas permanece essencial, mesmo após a intervenção cirúrgica, para monitorar a evolução da displasia.
A displasia de baixo grau é uma alteração pré-maligna no Esôfago de Barrett, indicando um risco aumentado de progressão para displasia de alto grau e adenocarcinoma esofágico. Requer vigilância e, por vezes, intervenção para prevenir a malignização.
A cirurgia anti-refluxo pode reduzir a exposição ao ácido e, em alguns casos, levar à regressão da displasia. No entanto, o tecido de Barrett persiste, e o risco de progressão, embora potencialmente diminuído, não é eliminado, exigindo acompanhamento endoscópico regular.
A conduta inclui vigilância endoscópica rigorosa com biópsias seriadas. Em casos confirmados por dois patologistas, pode-se considerar ablação endoscópica ou mucosectomia, dependendo da extensão e características da displasia para prevenir a progressão.
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