Manejo do Esôfago de Barrett: Conduta e Vigilância

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 58 anos de idade, com histórico de refluxo gastroesofágico (DRGE) há cinco anos, apresentou dor retroesternal persistente e disfagia progressiva. A endoscopia revelou esôfago de Barrett com área de metaplasia no esôfago distal. Qual é a conduta mais apropriada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Monitoramento com biópsias periódicas e tratamento com IBP.
  2. B) Cirurgia para ressecção do esôfago.
  3. C) Uso de antiácidos e monitoramento sem biópsia.
  4. D) Realização de radioterapia para a área de metaplasia.

Pérola Clínica

Barrett sem displasia → IBP para controle de sintomas + Vigilância endoscópica a cada 3-5 anos.

Resumo-Chave

O manejo do esôfago de Barrett sem displasia foca no controle do refluxo gastroesofágico e na vigilância endoscópica periódica com biópsias para detecção precoce de malignização.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett representa uma resposta adaptativa da mucosa esofágica à agressão ácida e biliar crônica. A importância clínica reside no risco aumentado de transformação maligna para adenocarcinoma, embora a taxa de progressão anual para pacientes sem displasia seja baixa (aproximadamente 0,2% a 0,5% ao ano). A estratégia de manejo é estratificada pelo grau de displasia encontrado nas biópsias. Na ausência de displasia, o tratamento é conservador com foco na supressão ácida. Se houver displasia de baixo grau confirmada por dois patologistas, as opções incluem vigilância anual ou ablação endoscópica. Já na displasia de alto grau ou carcinoma intramucoso, as terapias de erradicação endoscópica (como ablação por radiofrequência ou ressecção mucosa) são preferíveis à esofagectomia, devido à menor morbidade.

Perguntas Frequentes

O que define o Esôfago de Barrett?

O Esôfago de Barrett é definido pela substituição do epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes (metaplasia intestinal). Esta condição é uma complicação da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica e é considerada uma lesão precursora do adenocarcinoma de esôfago. O diagnóstico requer a visualização endoscópica de epitélio cor salmão acima da junção gastroesofágica e confirmação histopatológica de metaplasia intestinal.

Qual a periodicidade da vigilância no Barrett sem displasia?

Para pacientes com Esôfago de Barrett confirmado por biópsia, mas sem evidência de displasia, as diretrizes atuais (como as da ACG e ASGE) recomendam a realização de endoscopia digestiva alta com biópsias de quatro quadrantes a cada 2 cm (Protocolo de Seattle) em intervalos de 3 a 5 anos. O objetivo é monitorar a progressão para displasia de baixo ou alto grau, permitindo intervenções precoces se necessário.

O IBP previne a progressão do Barrett para câncer?

O uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) é fundamental no manejo do Esôfago de Barrett para controlar os sintomas da DRGE e promover a cicatrização da esofagite. Embora existam evidências observacionais sugerindo que o uso crônico de IBP possa reduzir o risco de progressão para adenocarcinoma, sua principal indicação permanece o controle clínico e a estabilização da mucosa para permitir biópsias adequadas durante a vigilância.

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