AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020
Paciente com queixa de pirose e regurgitação há longo prazo, realiza uma endoscopia digestiva alta que mostra uma extensa área de epitelização colunar do esôfago distal, sendo retirados diversos fragmentos deste tecido para análise anátomo patológica. Em relação a este caso clínico, analise as assertivas abaixo. I) O principal fator de risco para esta patologia é a infecção pelo Helicobacter pylori e o uso crônico de inibidor da bomba de próton. II) Um resultado anátomo patológico mostrando displasia de alta grau indica a realização de operação antirrefluxo. III) Se o resultado mostrar um displasia de baixo grau para este paciente, uma nova endoscopia deve ser realizada em 6 meses a um ano. IV) A presença deste achado endoscópico e a identificação de metaplasia intestinal no exame anátomo patológico define este paciente como portador de esôfago de Barrett. Estão corretas as assertivas:
Esôfago de Barrett = metaplasia intestinal no esôfago distal; displasia de baixo grau → endoscopia em 6-12 meses.
O Esôfago de Barrett é definido pela metaplasia intestinal especializada no esôfago distal, um achado endoscópico e histopatológico. A presença de displasia de baixo grau exige vigilância endoscópica mais frequente para monitorar a progressão para displasia de alto grau ou adenocarcinoma.
O Esôfago de Barrett (EB) é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal por epitélio colunar especializado com células caliciformes (metaplasia intestinal). É uma complicação da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica e o principal fator de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma de esôfago. O diagnóstico requer a combinação de achados endoscópicos (línguas de epitélio colunar acima da junção gastroesofágica) e histopatológicos (presença de metaplasia intestinal). Os fatores de risco para EB incluem DRGE de longa duração, hérnia de hiato, obesidade abdominal, sexo masculino e idade avançada. A infecção por Helicobacter pylori não é um fator de risco para EB; na verdade, sua erradicação pode até aumentar a exposição ácida e, consequentemente, o risco de DRGE e EB. A vigilância endoscópica com biópsias é crucial para detectar a progressão da metaplasia para displasia e, eventualmente, adenocarcinoma. A conduta para o EB depende da presença e do grau de displasia. Para EB sem displasia, a vigilância é menos frequente. Para displasia de baixo grau, a recomendação atual é otimizar a supressão ácida com inibidores da bomba de prótons (IBP) e realizar endoscopias de vigilância mais frequentes (geralmente a cada 6 a 12 meses) para reavaliar a displasia. A displasia de alto grau ou o adenocarcinoma inicial geralmente requerem intervenções endoscópicas ablativas ou ressecção cirúrgica, e não apenas cirurgia antirrefluxo.
O diagnóstico de Esôfago de Barrett é feito pela combinação de achado endoscópico de epitelização colunar no esôfago distal e a confirmação histopatológica de metaplasia intestinal especializada (com células caliciformes).
Para displasia de baixo grau, a conduta recomendada é a otimização da supressão ácida com IBP e vigilância endoscópica com biópsias em intervalos mais curtos, geralmente a cada 6 a 12 meses, para monitorar a progressão.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica e de longa duração é o principal fator de risco para o desenvolvimento do Esôfago de Barrett, pois a exposição prolongada do esôfago ao ácido e à bile leva à metaplasia.
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