Esôfago de Barrett: Metaplasia e Risco de Câncer

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2015

Enunciado

O esôfago de Barrett: 

Alternativas

  1. A) Tem como únicos agentes causadores o ácido clorídrico e a pepsina do suco gástrico. 
  2. B) Tem o diagnóstico confirmado apenas pelo exame endoscópico.
  3. C) Caracteriza-se por substituição do epitélio distal do esôfago por epitélio metaplásico. 
  4. D) Apresenta risco de malignização em cerca de metade dos casos, após cinco anos.

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett = metaplasia intestinal especializada do epitélio escamoso estratificado distal do esôfago, devido à DRGE crônica.

Resumo-Chave

O Esôfago de Barrett é uma complicação da DRGE crônica, onde o epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal é substituído por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes (metaplasia intestinal especializada), aumentando o risco de adenocarcinoma esofágico.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett (EB) é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes, conhecido como metaplasia intestinal especializada. Essa alteração é uma complicação crônica da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), onde a exposição prolongada do esôfago ao ácido gástrico e à bile induz uma adaptação celular. O EB é clinicamente significativo devido ao seu potencial de progressão para displasia de baixo grau, alto grau e, finalmente, adenocarcinoma de esôfago, que é um câncer com prognóstico geralmente desfavorável. O diagnóstico do Esôfago de Barrett requer a combinação de achados endoscópicos e histopatológicos. Endoscopicamente, o EB é visualizado como uma mucosa de coloração avermelhada e aveludada, que se estende proximalmente a partir da junção gastroesofágica. No entanto, a confirmação definitiva exige biópsias múltiplas da área suspeita para demonstrar a presença de metaplasia intestinal especializada. A extensão do Barrett é classificada pela regra de Praga (C&M), que mede o comprimento da circunferência e da língua máxima de metaplasia. O manejo do Esôfago de Barrett foca na supressão ácida com inibidores da bomba de prótons (IBP) e na vigilância endoscópica regular com biópsias para detectar displasia. A frequência da vigilância depende da presença e do grau de displasia. Em casos de displasia de alto grau ou adenocarcinoma precoce, opções terapêuticas como ablação por radiofrequência, ressecção endoscópica da mucosa ou, em casos selecionados, esofagectomia podem ser consideradas. A compreensão do EB é fundamental para residentes, pois permite a identificação precoce e o manejo adequado para prevenir a progressão para câncer.

Perguntas Frequentes

O que é o Esôfago de Barrett e qual sua principal característica histológica?

O Esôfago de Barrett é uma condição pré-maligna onde o epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal é substituído por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes, conhecido como metaplasia intestinal especializada.

Qual a relação entre a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e o Esôfago de Barrett?

A DRGE crônica e não controlada é o principal fator de risco para o desenvolvimento do Esôfago de Barrett. A exposição prolongada do esôfago ao ácido gástrico e à bile causa inflamação e leva à metaplasia como um mecanismo de adaptação.

Qual o risco de malignização do Esôfago de Barrett e como é feito o acompanhamento?

O Esôfago de Barrett é a principal lesão precursora do adenocarcinoma de esôfago, com um risco anual de malignização de cerca de 0,1-0,5%. O acompanhamento é feito por vigilância endoscópica regular com biópsias para detectar displasia, que é o marcador de maior risco de progressão para câncer.

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