Esôfago de Barrett sem Displasia: Vigilância Endoscópica

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2020

Enunciado

V.C.X., feminino, 39 anos, com diagnóstico prévio de doença do refluxo gastroesofágico há 10 anos, inicialmente com sintomas 3-4x/semana, com melhora completa dos sintomas após tratamento com inibidores de bomba de prótons (IBP). Durante endoscopia digestiva alta realizada de controle de esofagite erosiva, foi evidenciado mucosa esofágica distal de cor rósea, de cerca de 02 cm de extensão e realizado múltiplas biópsias que evidenciaram metaplasia intestinal sem sinais de displasia. No momento paciente com controle adequado de sintomas com IBP. Diante do quadro, qual a recomendação para a paciente?

Alternativas

  1. A) Fundoplicatura a Nissen.
  2. B) Ressecção endoscópica.
  3. C) Ablação endoscópica.
  4. D) Repetir endoscopia a cada 3 a 5 anos.

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett com metaplasia intestinal SEM displasia → vigilância endoscópica a cada 3-5 anos.

Resumo-Chave

Pacientes com Esôfago de Barrett e metaplasia intestinal sem displasia, especialmente em segmentos curtos (<3cm), devem ser submetidos a vigilância endoscópica periódica (a cada 3-5 anos) para detectar precocemente o desenvolvimento de displasia ou adenocarcinoma esofágico. O controle dos sintomas com IBP é importante, mas não altera a necessidade de vigilância.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett (EB) é uma condição pré-maligna caracterizada pela metaplasia intestinal do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal, geralmente como uma complicação da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) crônica. Sua importância reside no risco aumentado de progressão para displasia e, subsequentemente, para adenocarcinoma esofágico. A paciente em questão apresenta EB com metaplasia intestinal sem sinais de displasia, e seus sintomas de DRGE estão controlados com inibidores de bomba de prótons (IBP). Nesses casos, a principal conduta é a vigilância endoscópica periódica. As diretrizes atuais recomendam a repetição da endoscopia digestiva alta com biópsias a cada 3 a 5 anos para pacientes com EB sem displasia, especialmente para segmentos curtos (<3cm). Tratamentos como fundoplicatura a Nissen, ressecção endoscópica ou ablação endoscópica não são indicados para EB sem displasia. A fundoplicatura pode controlar o refluxo, mas não elimina a necessidade de vigilância. A ablação e ressecção são reservadas para casos com displasia de alto grau ou adenocarcinoma. O objetivo da vigilância é a detecção precoce de alterações displásicas, permitindo intervenções minimamente invasivas antes da progressão para câncer invasivo.

Perguntas Frequentes

O que é Esôfago de Barrett e qual sua importância clínica?

Esôfago de Barrett é a substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar especializado (metaplasia intestinal), uma complicação da DRGE crônica e um fator de risco para adenocarcinoma esofágico.

Qual a recomendação de vigilância para Esôfago de Barrett com metaplasia intestinal sem displasia?

Para pacientes com Esôfago de Barrett sem displasia, a recomendação atual é repetir a endoscopia digestiva alta com biópsias a cada 3 a 5 anos, especialmente para segmentos curtos.

Quando a ablação ou ressecção endoscópica são indicadas no Esôfago de Barrett?

Ablação ou ressecção endoscópica são indicadas para Esôfago de Barrett com displasia de alto grau ou adenocarcinoma intramucoso, não para metaplasia sem displasia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo