FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024
Paciente de 50 anos, bom estado geral, bom desempenho físico, tabagista, fez endoscopia digestiva alta revelando lesão plana no terço inferior do esôfago, compatível com esôfago de Barrett. Realizada biópsia da lesão, demonstrou tratar-se de displasia de alto grau. Repetiu biópsia da lesão, confirmando o achado histopatológico inicial. Qual a conduta mais adequada para o tratamento desse paciente?
Esôfago de Barrett com displasia de alto grau confirmada → Esofagectomia subtotal ou ablação endoscópica.
A displasia de alto grau no Esôfago de Barrett, quando confirmada em biópsias repetidas, representa um risco iminente de progressão para adenocarcinoma esofágico. A conduta mais adequada é a erradicação da lesão, seja por esofagectomia ou ablação endoscópica, dependendo da extensão e características da lesão.
O Esôfago de Barrett é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar especializado, geralmente como complicação do refluxo gastroesofágico crônico. Sua importância reside no risco aumentado de progressão para adenocarcinoma esofágico, um câncer agressivo com prognóstico reservado. A prevalência varia, mas é mais comum em homens brancos acima de 50 anos com história de DRGE de longa data. A fisiopatologia envolve a exposição crônica do esôfago ao ácido e bile, levando à metaplasia. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias, que devem ser realizadas em múltiplos quadrantes para detectar displasia. A displasia de alto grau é a lesão precursora mais avançada e sua confirmação por um segundo patologista é crucial devido ao risco de super ou subdiagnóstico. A conduta para displasia de alto grau confirmada é a erradicação da lesão. As opções incluem ablação endoscópica (radiofrequência, crioablação) para lesões não nodulares e esofagectomia para lesões nodulares, multifocais, ou quando a ablação falha. A esofagectomia subtotal é uma cirurgia de grande porte, mas oferece a remoção completa da área de risco. O controle endoscópico rigoroso é fundamental para monitorar a progressão e detectar precocemente qualquer alteração.
O diagnóstico de Esôfago de Barrett requer a presença de metaplasia intestinal especializada (epitélio colunar com células caliciformes) na biópsia de mucosa esofágica distal, geralmente associada a refluxo gastroesofágico crônico.
A displasia de baixo grau apresenta alterações arquiteturais e citológicas menos acentuadas, com menor risco de progressão. A displasia de alto grau mostra alterações mais severas, com perda da polaridade celular e maior risco de progressão para adenocarcinoma.
A esofagectomia é indicada para displasia de alto grau multifocal ou quando a ablação endoscópica não é viável ou falha, ou em casos de adenocarcinoma invasivo.
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