Esôfago de Barrett: Diagnóstico, Risco e Tratamento da DRGE

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 28 anos, obesa, vem ao ambulatório com queixa de pirose crônica, principalmente após alimentação copiosa, rica em gordura e condimentados. Ela traz consigo endoscopia digestiva alta que evidencia esôfago de elasticidade preservada, com transição esôfago-gástrica a nível do pinçamento diafragmático, apresentando lesões avermelhadas semelhantes à mucosa gástrica em seu terço distal, cuja biópsia evidenciou tratar-se de metaplasia colunar. O estômago encontrava-se hiperemiado (gastrite enantematosa), sem outras lesões. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa INCORRETA: I. A esofagomanometria é o exame de maior sensibilidade para diagnosticar a patologia de base do paciente acima; II. Já que não há hérnia hiatal, não há indicação de tratamento cirúrgico; III. O esofagograma contrastado e a Phmetria esofagiana são exames dispensáveis na avaliação do caso acima; IV. Caso o tratamento não seja adequado, há possibilidade de evolução do caso para carcinoma escamocelular de esôfago; V. A ranitidina é medicação obrigatória no tratamento deste paciente. 

Alternativas

  1. A) As assertivas III e IV são incorretas. 
  2. B) Todas são falsas.
  3. C) As assertivas II e V são incorretas. 
  4. D) A assertiva IV não é correta já que a neoplasia de evolução provável no caso é o linfoma esofagiano.

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett → risco de adenocarcinoma; pHmetria é essencial, IBP são 1ª linha, não ranitidina.

Resumo-Chave

O Esôfago de Barrett, caracterizado por metaplasia colunar, é uma complicação da DRGE e um fator de risco para adenocarcinoma esofágico, não carcinoma escamocelular. A pHmetria é crucial para avaliar o refluxo, e o tratamento com IBP é a primeira linha, não ranitidina.

Contexto Educacional

A paciente apresenta um quadro clássico de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica, complicada por Esôfago de Barrett, evidenciado pela metaplasia colunar no terço distal do esôfago. A DRGE é uma condição comum, mas o Barrett é uma complicação séria, representando uma condição pré-maligna. A pirose crônica, obesidade e a biópsia confirmando metaplasia são achados cruciais. A avaliação diagnóstica da DRGE e do Esôfago de Barrett envolve múltiplos exames. A esofagomanometria avalia a motilidade esofágica e a função do esfíncter esofágico inferior, sendo útil para planejar cirurgias, mas não para diagnosticar a patologia de base em termos de refluxo ou metaplasia. A pHmetria esofágica de 24 horas, por outro lado, é o padrão ouro para quantificar o refluxo ácido e é indispensável para confirmar a DRGE e guiar o tratamento, especialmente em pacientes com Barrett. O esofagograma contrastado tem baixa sensibilidade para essas condições. Em relação à evolução e tratamento, o Esôfago de Barrett é o principal fator de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma de esôfago, e não carcinoma escamocelular ou linfoma. O tratamento da DRGE e do Barrett é primariamente clínico, com inibidores de bomba de prótons (IBP) sendo a medicação de escolha devido à sua potente supressão ácida. A ranitidina, um bloqueador H2, é menos eficaz e não é considerada a terapia obrigatória ou de primeira linha. A indicação cirúrgica para DRGE, mesmo sem hérnia hiatal, pode ser considerada em casos selecionados de refratariedade ao tratamento clínico ou complicações graves.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da pHmetria esofágica no diagnóstico da DRGE e Esôfago de Barrett?

A pHmetria esofágica é o padrão ouro para quantificar e caracterizar o refluxo ácido, sendo essencial para confirmar o diagnóstico de DRGE, especialmente em casos atípicos ou antes de considerar o tratamento cirúrgico, e para guiar a terapia em pacientes com Esôfago de Barrett.

Qual a principal complicação do Esôfago de Barrett?

A principal complicação do Esôfago de Barrett é a sua progressão para adenocarcinoma de esôfago. Por isso, pacientes com Barrett necessitam de vigilância endoscópica regular com biópsias para detecção precoce de displasia.

Por que os inibidores de bomba de prótons (IBP) são preferidos à ranitidina no tratamento da DRGE e Esôfago de Barrett?

Os IBP são mais eficazes que a ranitidina (um bloqueador H2) na supressão da secreção ácida gástrica, proporcionando melhor controle dos sintomas da DRGE, cicatrização de esofagites e, potencialmente, estabilização do Esôfago de Barrett.

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