UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2021
Mulher 57 anos, diabética, refere pirose e refluxo há 8 anos. EDA revela hérnia hiatal de 5 cm e Esôfago de Barrett longo. O estudo anatomopatológico evidenciou epitélio colunar diferenciado - metaplasia intestinal e displasia de alto grau. Assinale a alternativa CORRETA quanto à questão apresentada:
Esôfago de Barrett com displasia de alto grau → Esofagectomia trans-hiatal (se não houver contraindicação ou falha endoscópica).
A presença de Esôfago de Barrett com displasia de alto grau confere um risco significativo de progressão para adenocarcinoma esofágico. Nesses casos, a esofagectomia é uma opção curativa, especialmente a trans-hiatal com anastomose cervical, que oferece boa exposição e menor morbimortalidade em comparação com a via toracoabdominal para casos selecionados.
O Esôfago de Barrett é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar metaplásico, geralmente como complicação do refluxo gastroesofágico crônico. A epidemiologia mostra que pacientes com Esôfago de Barrett têm um risco aumentado de desenvolver adenocarcinoma esofágico, e esse risco é significativamente maior na presença de displasia de alto grau. A importância clínica reside na necessidade de vigilância endoscópica rigorosa e intervenção precoce para prevenir a progressão para câncer invasivo. A fisiopatologia envolve a agressão crônica do ácido e da bile ao esôfago, levando a alterações celulares e metaplasia. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias, que confirmam a metaplasia intestinal e avaliam o grau de displasia. A suspeita deve surgir em pacientes com refluxo crônico de longa data. A displasia de alto grau é um achado histopatológico crítico que indica um risco iminente de malignidade. Para o Esôfago de Barrett com displasia de alto grau, a conduta terapêutica é agressiva. Embora terapias endoscópicas como mucosectomia e ablação por radiofrequência sejam opções para erradicar a displasia, a esofagectomia (remoção cirúrgica do esôfago) é considerada uma opção curativa definitiva, especialmente em casos de Barrett longo, falha da terapia endoscópica ou preocupação com doença invasiva oculta. A esofagectomia trans-hiatal com anastomose esofagogástrica cervical é uma técnica cirúrgica estabelecida, que oferece boa exposição e pode ter menor morbimortalidade em comparação com a via toracoabdominal em centros experientes. O prognóstico depende da erradicação completa da displasia e da ausência de câncer invasivo. Pontos de atenção incluem a avaliação cuidadosa do paciente para a cirurgia e o acompanhamento pós-operatório rigoroso.
A displasia de alto grau no Esôfago de Barrett é considerada uma lesão pré-maligna com alto risco de progressão para adenocarcinoma esofágico invasivo, com taxas anuais de progressão que podem chegar a 6-10%. É um marcador crucial que exige intervenção definitiva.
As opções incluem terapias endoscópicas (mucosectomia para lesões visíveis e ablação por radiofrequência para o restante do Barrett) e cirurgia (esofagectomia). A escolha depende da extensão da lesão, comorbidades do paciente e experiência do centro.
A esofagectomia trans-hiatal, com anastomose cervical, permite a ressecção do esôfago sem toracotomia, potencialmente reduzindo a morbidade pulmonar. É uma opção para pacientes selecionados, oferecendo uma abordagem curativa para a displasia de alto grau e prevenção do adenocarcinoma invasivo.
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