Esôfago de Barrett: Risco de Câncer e Manejo

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Quanto ao esôfago de Barret, como complicação da DRGE (doença do refluxo gastroesofágico), analise as afirmativas e assinale a alternativa CORRETA.I. Os pacientes com tal condição têm cerca de quarenta vezes mais chances de apresentar adenocarcinoma, em comparação com a população normal.II. Quando detectado com imagem característica na endoscopia digestiva alta, não é necessário biopsiar para comprovação do diagnóstico.III. Após a cirurgia para correção do refluxo, não é mais necessário o acompanhamento com endoscopia, devido aos excelentes resultados obtidos com esta terapia.

Alternativas

  1. A) Apenas a afirmativa I está correta.
  2. B) Apenas a afirmativa II está correta.
  3. C) Apenas a afirmativa III está correta.
  4. D) Todas as afirmativas estão corretas.

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett ↑ risco adenocarcinoma esofágico; sempre biopsiar e manter vigilância endoscópica.

Resumo-Chave

O Esôfago de Barrett é uma complicação da DRGE crônica, caracterizada por metaplasia intestinal no esôfago distal, que confere um risco significativamente aumentado de adenocarcinoma esofágico. O diagnóstico definitivo requer biópsia para confirmação histopatológica, e a vigilância endoscópica é essencial, mesmo após cirurgia de refluxo, devido ao potencial maligno.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes, semelhante ao intestino. É uma complicação crônica da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e é o principal fator de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma esofágico, com um risco relativo estimado em cerca de 30 a 50 vezes maior que na população geral. O diagnóstico do Esôfago de Barrett é feito por endoscopia digestiva alta, que revela uma mucosa de coloração avermelhada e aveludada, estendendo-se proximalmente a partir da junção gastroesofágica. No entanto, a confirmação definitiva requer biópsias da área suspeita, que devem demonstrar a presença de metaplasia intestinal especializada. A vigilância endoscópica com biópsias é crucial para detectar displasia ou adenocarcinoma em estágios iniciais, permitindo intervenções mais eficazes. O manejo inclui o controle rigoroso do refluxo com inibidores de bomba de prótons (IBP) e a vigilância endoscópica regular, cuja frequência depende da presença e grau de displasia. A cirurgia anti-refluxo (fundoplicatura) pode controlar os sintomas de DRGE, mas não elimina a metaplasia nem o risco de malignidade, portanto, a vigilância deve ser mantida. Em casos de displasia de alto grau ou adenocarcinoma precoce, terapias ablativas endoscópicas ou ressecção cirúrgica podem ser indicadas.

Perguntas Frequentes

Qual a principal complicação do Esôfago de Barrett?

A principal e mais temida complicação do Esôfago de Barrett é a progressão para adenocarcinoma esofágico. Pacientes com essa condição têm um risco significativamente maior de desenvolver esse tipo de câncer em comparação com a população geral.

É necessário biopsiar o Esôfago de Barrett mesmo com imagem típica?

Sim, é absolutamente necessário realizar biópsias para confirmar o diagnóstico de Esôfago de Barrett e para avaliar a presença de displasia. A imagem endoscópica pode ser sugestiva, mas a confirmação histopatológica é indispensável.

A cirurgia de refluxo elimina o risco de câncer no Esôfago de Barrett?

Não, a cirurgia para correção do refluxo não elimina o risco de malignidade no Esôfago de Barrett. Embora possa controlar os sintomas de refluxo, a metaplasia intestinal persiste, e a vigilância endoscópica regular ainda é necessária para detectar displasia ou câncer precocemente.

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