Esôfago de Barrett sem Displasia: Manejo e Tratamento

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher de 50 anos se queixa de azia que recentemente começou a atrapalhar seu sono. Embora ela tenha tido azia ocasionalmente por vários anos, isso não a levou a procurar tratamento até agora. A esofagogastroduodenoscopia revela erosões e ulcerações esofágicas distais, bem como deslocamento proximal de 5 cm da junção escamocolunar no esôfago distal, compatível com esôfago de Barrett. Amostras de biópsia de mucosa obtidas do segmento colunar confirmam a presença de epitélio intestinal metaplásico sem displasia - também compatível com esôfago de Barrett. A opção de tratamento mais apropriada para esta paciente é:

Alternativas

  1. A) Terapia com inibidor da bomba de prótons por 12 semanas, depois terapia com antagonista do receptor de histamina-2.
  2. B) Cirurgia antirrefluxo.
  3. C) Cirurgia antirrefluxo e terapia com inibidor da bomba de prótons.
  4. D) Terapia com inibidor da bomba de prótons.

Pérola Clínica

Barrett sem displasia → IBP contínuo para controle de sintomas; cirurgia não reduz risco de câncer.

Resumo-Chave

O tratamento do esôfago de Barrett sem displasia foca no controle da DRGE com IBP. A cirurgia antirrefluxo é uma alternativa para controle de sintomas, mas não previne adenocarcinoma.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett é a substituição do epitélio escamoso estratificado por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes no esôfago distal. É a principal complicação da DRGE crônica e o maior fator de risco para o adenocarcinoma esofágico. O manejo inicial foca na supressão ácida agressiva para permitir a cicatrização da mucosa inflamada. A presença de erosões e ulcerações na paciente do caso reforça a necessidade de IBPs. A ausência de displasia nas biópsias permite um seguimento conservador com vigilância endoscópica periódica. Procedimentos invasivos como ablação por radiofrequência ou ressecção endoscópica são reservados para casos com displasia confirmada ou carcinoma intramucoso.

Perguntas Frequentes

Qual o objetivo do tratamento no Barrett sem displasia?

O objetivo principal é o controle dos sintomas da DRGE e a cicatrização de esofagite erosiva associada. O uso de IBPs é a base do tratamento farmacológico. Embora o Barrett seja uma condição pré-maligna, o tratamento clínico ou cirúrgico visa a estabilização da mucosa, mas a vigilância endoscópica periódica permanece necessária conforme os protocolos, geralmente a cada 3 a 5 anos para segmentos sem displasia.

A cirurgia antirrefluxo é superior ao IBP na prevenção de câncer?

Não. Estudos clínicos e meta-análises não demonstraram que a fundoplicatura seja superior ao tratamento medicamentoso com IBP na redução do risco de progressão para adenocarcinoma esofágico. A cirurgia é indicada principalmente para pacientes com controle inadequado de sintomas com medicação ou que preferem não usar fármacos cronicamente, mas não altera o protocolo de vigilância.

Como deve ser feita a vigilância endoscópica no Barrett?

Para pacientes com Barrett confirmado por biópsia (metaplasia intestinal) e sem displasia, a recomendação atual das principais sociedades (como ACG e ASGE) é a realização de EDA com biópsias de 4 quadrantes a cada 2 cm (Protocolo de Seattle) em intervalos de 3 a 5 anos, dependendo da extensão do segmento.

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