Esôfago de Barrett: Cirurgia Anti-refluxo e Risco de Câncer

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

O esôfago de Barrett costuma ser diagnosticado em pessoas que sofrem com a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) por muito tempo, entretanto, persiste a dúvida sobre o tratamento cirúrgico. Sobre esta patologia marque a alternativa ERRADA.

Alternativas

  1. A) O tratamento do Barrett limita a progressão e promove regressão, prevenindo, assim, o desenvolvimento do adenocarcinoma.
  2. B) A Cirurgia anti-refluxo deve ser considerada de forma obrigatória, pois é uma medida antineoplásica.
  3. C) Indicações são as mesmas que em pacientes com indicações cirúrgicas para DRGE.
  4. D) As indicações da cirurgia do refluxo tem maior prevalência em dependentes do tratamento clínico - 70% a 75%.
  5. E) Os fatores de risco para o desenvolvimento de neoplasia são: idade avançada, obesidade tabagismo e falha de tratamento.

Pérola Clínica

Cirurgia anti-refluxo NÃO é obrigatória para Esôfago de Barrett e NÃO é medida antineoplásica primária.

Resumo-Chave

A cirurgia anti-refluxo para Esôfago de Barrett tem as mesmas indicações que para DRGE refratária ao tratamento clínico. Ela melhora os sintomas de refluxo, mas não é considerada uma medida antineoplásica primária e não há evidências de que previna o desenvolvimento de adenocarcinoma.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett é uma condição pré-maligna caracterizada pela metaplasia intestinal do epitélio esofágico distal, resultante da exposição crônica ao refluxo gastroesofágico. É o principal fator de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma de esôfago, um câncer com prognóstico geralmente desfavorável. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias. O tratamento do Esôfago de Barrett visa controlar o refluxo e, em casos de displasia, erradicar o tecido metaplásico. O tratamento clínico com inibidores de bomba de prótons (IBP) é a base, buscando reduzir a exposição ácida. A cirurgia anti-refluxo, como a fundoplicatura, é uma opção para pacientes com DRGE refratária ao tratamento clínico ou que não desejam o uso contínuo de medicação, e suas indicações em pacientes com Barrett são as mesmas que para aqueles sem Barrett. É um erro comum acreditar que a cirurgia anti-refluxo é uma medida antineoplásica obrigatória para o Esôfago de Barrett. Embora a cirurgia possa melhorar os sintomas de refluxo e reduzir a exposição ácida, não há evidências robustas de que ela previna a progressão para adenocarcinoma ou cause a regressão do tecido de Barrett. O risco de malignidade persiste, e a vigilância endoscópica regular com biópsias continua sendo essencial para detectar displasia ou câncer em estágios iniciais, independentemente do tratamento cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre DRGE e Esôfago de Barrett?

O Esôfago de Barrett é uma complicação da DRGE crônica, onde o epitélio escamoso estratificado do esôfago distal é substituído por epitélio colunar metaplásico, um precursor do adenocarcinoma esofágico.

A cirurgia anti-refluxo previne o desenvolvimento de adenocarcinoma em pacientes com Barrett?

Não há evidências claras de que a cirurgia anti-refluxo previna o desenvolvimento de adenocarcinoma em pacientes com Esôfago de Barrett. Ela controla os sintomas de refluxo, mas o tecido metaplásico persiste e o risco de malignidade permanece.

Quais são as indicações para cirurgia anti-refluxo em pacientes com Esôfago de Barrett?

As indicações são as mesmas que para pacientes com DRGE sem Barrett: falha do tratamento clínico com inibidores de bomba de prótons (IBP), intolerância aos IBP, ou complicações como estenose e úlceras refratárias.

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