PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
MFTF 65 anos, sexo masculino, obeso, tabagista, etilista, com história de tratamento clínico para doença do refluxo gastroesofágico há 10 anos. Não tolera interromper tratamento com inibidores de bomba de prótons (IBP). Fez endoscopia digestiva alta recente com os seguintes achados: esofagite complicada; Barrett longo CZM10: grande hérnia hiatal polipose gástrica: duodeno normal. O resultado das biópsias endoscópicas mostrou pólipos gástricos de glândulas fúndicas: esofagite crónica com epitélio colunar (metaplasia intestinal incompleta) compatível com Barrett, sem atipias no esôfago inferior e esofagite crônica inespecífica no esôfago superior. Qual das alternativas abaixo está ERRADA em relação ao quadro clínico do paciente?
Cirurgia antirrefluxo controla sintomas, mas NÃO garante prevenção de adenocarcinoma no Barrett.
A cirurgia antirrefluxo (fundoplicatura) é eficaz para o controle sintomático da DRGE, mas não há evidência robusta de que ela interrompa a progressão da metaplasia para o câncer.
O Esôfago de Barrett é uma complicação grave da DRGE crônica, caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado por epitélio colunar com metaplasia intestinal. É o principal fator de risco para o adenocarcinoma de esôfago. O manejo envolve o controle agressivo do refluxo para prevenir a progressão da inflamação e a vigilância endoscópica com biópsias para detecção precoce de displasia. A decisão entre tratamento clínico e cirúrgico deve focar na qualidade de vida e controle de sintomas, ciente de que a biologia da metaplasia exige acompanhamento contínuo.
Embora a fundoplicatura seja excelente para o controle dos sintomas da DRGE e cicatrização da esofagite, os estudos clínicos não demonstraram de forma inequívoca que o tratamento cirúrgico seja superior ao tratamento clínico com IBP na prevenção do adenocarcinoma esofágico. O paciente com Barrett mantém o risco de progressão neoplásica devido a alterações genéticas já estabelecidas na mucosa metaplásica, exigindo vigilância endoscópica rigorosa independentemente do controle do refluxo (seja por medicação ou cirurgia).
A Classificação de Praga é utilizada para descrever a extensão do Esôfago de Barrett. O valor 'C' (Circunferencial) indica a extensão da metaplasia que envolve toda a circunferência do esôfago, e o valor 'M' (Máximo) indica a extensão máxima da língua de metaplasia a partir da junção esofagogástrica. Um Barrett CZM10 indica uma extensão circunferencial de zero (apenas línguas) e uma extensão máxima de 10 cm, caracterizando um Barrett de segmento longo (definido como > 3 cm).
O uso crônico de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) está associado ao surgimento de pólipos de glândulas fúndicas. Isso ocorre devido à hipergastrinemia secundária à supressão ácida, que estimula a proliferação das células parietais. Na grande maioria dos casos, esses pólipos são benignos, esporádicos e não possuem potencial de malignização, não exigindo conduta cirúrgica ou interrupção do IBP se houver indicação clínica para o uso da droga.
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