UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
A respeito da doença de refluxo gastroesofágico (DRGE) e da estenose péptica do esôfago distal, julgue o item seguinte. O esôfago de Barrett, condição clínica associada à complicação da DRGE, predispõe a pessoa a carcinoma epidermoide do esôfago distal.
Esôfago de Barrett → Metaplasia Intestinal → Risco de Adenocarcinoma (NÃO Epidermoide).
O Esôfago de Barrett é uma condição pré-maligna onde o epitélio escamoso é substituído por colunar (metaplasia), aumentando especificamente o risco de adenocarcinoma esofágico.
O Esôfago de Barrett representa a complicação mais grave da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica. A importância clínica reside no fato de ser uma condição pré-neoplásica. A sequência fisiopatológica clássica é: DRGE crônica → Esofagite → Metaplasia Intestinal (Barrett) → Displasia de Baixo Grau → Displasia de Alto Grau → Adenocarcinoma. É fundamental diferenciar as neoplasias esofágicas: enquanto o adenocarcinoma está em ascensão no ocidente devido à obesidade e DRGE, o carcinoma epidermoide (CEC) ainda é comum, mas associado a outros fatores ambientais. O diagnóstico de Barrett exige confirmação histológica de metaplasia intestinal em biópsias obtidas de áreas de epitélio de aparência colunar acima da junção esofagogástrica.
O Esôfago de Barrett é caracterizado pela metaplasia intestinal especializada, onde o epitélio estratificado escamoso normal do esôfago distal é substituído por um epitélio colunar contendo células caliciformes (goblet cells). Essa mudança ocorre como uma resposta adaptativa à agressão crônica do ácido gástrico e bile decorrentes da DRGE.
O Adenocarcinoma origina-se de células glandulares, geralmente sobre um epitélio metaplásico (Barrett) no terço distal do esôfago, sendo fortemente associado à obesidade e DRGE. Já o Carcinoma Epidermoide (ou escamoso) origina-se das células escamosas normais, acomete preferencialmente os terços superior e médio, e tem como principais fatores de risco o tabagismo e o etilismo.
O rastreamento é feito através de Endoscopia Digestiva Alta (EDA) com biópsias seriadas (Protocolo de Seattle). A periodicidade depende do grau de displasia encontrado: sem displasia (3-5 anos), displasia de baixo grau (6-12 meses ou ablação) e displasia de alto grau (ablação endoscópica preferencialmente).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo