Esôfago de Barrett Sem Displasia: Manejo e Vigilância

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 60 anos, portador de doença do refluxo gastroesofágico há 10 anos. Durante realização de endoscopia de controle, teve o diagnóstico de Esôfago de Barret. A biópsia confirmou o diagnóstico e não evidenciou sinais de displasia na amostra examinada. A conduta adequada para o caso é:

Alternativas

  1. A) Esofagectomia devido ao risco elevado de câncer de esôfago.
  2. B) Repetir imediatamente a endoscopia e a biópsia para confirmar o diagnóstico.
  3. C) Tratamento medicamentoso, mudanças no estilo de vida e seguimento endoscópico regular por toda a vida do paciente.
  4. D) Mucosectomia endoscópica.

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett sem displasia → IBP + Estilo de vida + Vigilância endoscópica regular.

Resumo-Chave

O Esôfago de Barrett sem displasia, embora seja uma condição pré-maligna, apresenta um risco anual baixo de progressão para adenocarcinoma. A conduta adequada envolve o controle rigoroso da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) com inibidores de bomba de prótons (IBP), modificações no estilo de vida e um programa de vigilância endoscópica regular com biópsias seriadas para detectar precocemente o surgimento de displasia ou câncer.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett é uma condição pré-maligna caracterizada pela metaplasia intestinal do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal, geralmente como complicação crônica da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Sua importância clínica reside no risco aumentado de desenvolver adenocarcinoma esofágico, embora a taxa anual de progressão para câncer em casos sem displasia seja relativamente baixa (cerca de 0,1% a 0,5%). O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsias que confirmam a presença de metaplasia intestinal especializada. Uma vez diagnosticado o Esôfago de Barrett sem displasia, a conduta principal é a vigilância. Isso inclui o tratamento otimizado da DRGE, geralmente com inibidores de bomba de prótons (IBP) em doses adequadas, e modificações no estilo de vida para reduzir o refluxo. O pilar do manejo é o seguimento endoscópico regular com biópsias seriadas, seguindo protocolos estabelecidos (por exemplo, a cada 3-5 anos para Barrett sem displasia). O objetivo é identificar precocemente o surgimento de displasia de baixo grau, alto grau ou adenocarcinoma, permitindo intervenções endoscópicas (como ressecção ou ablação) antes que a doença se torne invasiva e de pior prognóstico.

Perguntas Frequentes

Qual o principal objetivo da vigilância endoscópica no Esôfago de Barrett sem displasia?

O principal objetivo da vigilância endoscópica é detectar precocemente o desenvolvimento de displasia (de baixo ou alto grau) ou adenocarcinoma, permitindo intervenções oportunas e melhorando o prognóstico do paciente.

Com que frequência deve ser realizada a endoscopia de vigilância em pacientes com Esôfago de Barrett sem displasia?

A frequência da endoscopia de vigilância para Esôfago de Barrett sem displasia varia, mas geralmente é recomendada a cada 3 a 5 anos, dependendo da extensão do Barrett e de outros fatores de risco.

Qual o papel dos inibidores de bomba de prótons (IBP) no manejo do Esôfago de Barrett?

Os IBP são fundamentais para controlar a doença do refluxo gastroesofágico, reduzir a exposição ácida do esôfago e aliviar os sintomas, embora não haja evidências claras de que previnam a progressão do Barrett para displasia ou câncer.

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