Esôfago de Barrett: Achados Endoscópicos e Diagnóstico

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 65 anos de idade, tabagista e obeso, comparece ao ambulatório com queixa de pirose e regurgitação. Foi solicitada endoscopia digestiva alta. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa que indica a alteração endoscópica que é sugestiva de esófago de Barrett.

Alternativas

  1. A) Presença de mucosa cor salmão na porção distal da esôfago medindo 5 mm.
  2. B) Presença de mucosa cor salmão na porção medial do esôfago medindo 5 mm.
  3. C) Presença de mucosa cor salmão na porção distal do esôfago medindo 15 mm.
  4. D) Presença de mucosa cor salmão na porção proximal do esôfago medindo 30 mm.

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett = mucosa cor de salmão no esôfago distal, representando metaplasia intestinal por DRGE crônica.

Resumo-Chave

O achado endoscópico clássico do Esôfago de Barrett é a presença de uma mucosa de coloração salmão/avermelhada que se estende proximalmente a partir da junção gastroesofágica. Esse achado visual sugere metaplasia intestinal e requer biópsia para confirmação histológica, sendo um fator de risco para adenocarcinoma.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett é uma complicação da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) crônica e é o principal fator de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma de esôfago. A condição é definida pela substituição do epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal por um epitélio colunar metaplásico contendo células caliciformes (metaplasia intestinal). O diagnóstico é suspeitado na endoscopia digestiva alta pela visualização de 'línguas' ou uma área circunferencial de mucosa com coloração salmão/avermelhada que se estende proximalmente a partir da junção gastroesofágica. A localização é sempre no esôfago distal. O diagnóstico definitivo, no entanto, é histológico, exigindo biópsias que confirmem a metaplasia intestinal. A extensão da metaplasia é medida e classificada (ex: Classificação de Praga) para estratificar o risco. O manejo do Esôfago de Barrett envolve o tratamento agressivo da DRGE com inibidores de bomba de prótons e, crucialmente, um programa de vigilância endoscópica com biópsias periódicas. O objetivo é detectar precocemente a progressão para displasia, permitindo intervenções endoscópicas (mucosectomia, ablação por radiofrequência) que podem prevenir a evolução para adenocarcinoma.

Perguntas Frequentes

O que é o achado de 'mucosa cor de salmão' na endoscopia?

É a descrição visual da mucosa do esôfago distal que sofreu metaplasia, mudando do epitélio escamoso normal (pálido e brilhante) para um epitélio colunar (avermelhado/salmão), semelhante ao do estômago ou intestino. É o principal sinal de suspeita de Esôfago de Barrett.

Qual a conduta após a suspeita endoscópica de Esôfago de Barrett?

Após a identificação de mucosa sugestiva, a conduta é realizar biópsias seriadas (protocolo de Seattle) da área alterada. O material é enviado para análise histopatológica para confirmar a presença de metaplasia intestinal e pesquisar displasia, que guia a vigilância e o tratamento.

Como o Esôfago de Barrett se relaciona com o câncer de esôfago?

O Esôfago de Barrett é a principal lesão precursora do adenocarcinoma de esôfago. A inflamação crônica pelo refluxo leva à metaplasia, que pode progredir para displasia de baixo grau, displasia de alto grau e, finalmente, adenocarcinoma invasivo. Por isso, pacientes com Barrett necessitam de vigilância endoscópica periódica.

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