HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026
Paciente de 23 anos, sexo masculino, procurou assistência médica porque há cerca de um mês vem sentindo dor à deglutição, que tem piorado e contribuído para que não se alimente. Já perdeu cerca de 6 quilos nesse período. O exame endoscópico do esôfago evidenciou úlceras e mucosa friável, predominantemente na porção distal do esôfago. A biopsia da mucosa demonstrou inclusões intranucleares. Considerando esse quadro, qual seria o tratamento de escolha?
Úlceras esofágicas + inclusões intranucleares (olho de coruja) → Esofagite por CMV → Ganciclovir.
A esofagite por CMV é uma infecção oportunista comum em imunocomprometidos, caracterizada por úlceras distais e inclusões intranucleares patognomônicas, exigindo tratamento com ganciclovir.
A esofagite infecciosa é uma causa importante de morbidade em pacientes com HIV/AIDS ou outros estados de imunossupressão. O Citomegalovírus (CMV) é o segundo agente viral mais comum, após o Herpes Simples. O quadro clínico de odinafagia intensa e perda ponderal em um paciente jovem deve sempre levantar a suspeita de imunodeficiência subjacente. O diagnóstico definitivo depende da biópsia realizada durante a endoscopia digestiva alta. O tratamento de primeira linha é o ganciclovir endovenoso (5 mg/kg a cada 12 horas), podendo ser transicionado para valganciclovir oral assim que o paciente tolerar a via oral e apresentar melhora clínica. A falha no tratamento ou recorrência exige investigação de resistência viral ou má adesão à terapia antirretroviral, se aplicável.
O achado clássico na biópsia de mucosa esofágica são as inclusões intranucleares eosinofílicas, frequentemente descritas como 'olho de coruja'. Diferente do Herpes Simples (HSV), que apresenta inclusões multinucleadas e células gigantes, o CMV afeta preferencialmente as células endoteliais e fibroblastos na base das úlceras, e não apenas o epitélio escamoso.
O Ganciclovir é o tratamento de escolha para infecções por Citomegalovírus (CMV) porque possui uma afinidade significativamente maior pela DNA polimerase viral do CMV do que o Aciclovir. O Aciclovir é eficaz contra o vírus Herpes Simples (HSV) e Varicela-Zoster, mas tem atividade clínica insignificante contra o CMV em doses terapêuticas padrão.
Endoscopicamente, a esofagite por CMV manifesta-se tipicamente como úlceras grandes, rasas e lineares, localizadas predominantemente no esôfago distal. A mucosa adjacente pode estar friável. Isso contrasta com o HSV, que geralmente causa múltiplas úlceras pequenas e profundas (em 'vulcão').
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