Tratamento da Esofagite Grave na DRGE: Uso de IBP

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020

Enunciado

A respeito da doença de refluxo gastroesofágico (DRGE) e da estenose péptica do esôfago distal, julgue o item seguinte. Para paciente com esofagite grave por DRGE, deve-se prescrever o uso de inibidor de bomba de prótons por duas vezes ao dia, sem tempo determinado de tratamento.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Esofagite grave (LA C/D) → IBP dose dobrada (2x/dia) + manutenção por tempo indeterminado.

Resumo-Chave

Pacientes com esofagite erosiva grave apresentam alto risco de recidiva e complicações (estenose, Barrett), exigindo terapia supressora ácida potente e contínua.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica decorrente do fluxo retrógrado de conteúdo gastroduodenal para o esôfago. A gravidade é frequentemente avaliada pela Classificação de Los Angeles. Pacientes com graus C (lesões que envolvem >75% da circunferência) e D (lesões circunferenciais) são considerados portadores de esofagite grave. Nestes casos, a fisiopatologia envolve uma barreira anti-refluxo muito comprometida ou clareamento esofágico ineficaz. O uso de IBP (como Omeprazol, Pantoprazol ou Esomeprazol) é o pilar do tratamento. A evidência clínica sustenta que a supressão ácida agressiva é necessária não apenas para o alívio sintomático, mas para a prevenção de sequelas estruturais permanentes. A decisão de manter o tratamento 'sem tempo determinado' reflete a natureza crônica e recidivante da lesão tecidual nesses estágios avançados.

Perguntas Frequentes

Qual a dose de IBP indicada para esofagite grave?

Para casos de esofagite erosiva grave (classificação de Los Angeles graus C e D), as diretrizes recomendam o uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) em dose plena ou, frequentemente, dose dobrada (duas vezes ao dia, 30 minutos antes do café e do jantar). Essa abordagem visa maximizar a supressão ácida gástrica para permitir a cicatrização da mucosa esofágica e prevenir a formação de estenoses pépticas ou a progressão para esôfago de Barrett.

Por quanto tempo deve-se tratar a esofagite grave?

Diferente das formas leves de DRGE, a esofagite grave requer tratamento por tempo indeterminado. Estudos demonstram que a taxa de recidiva da esofagite erosiva após a suspensão do IBP em pacientes graus C e D é extremamente alta (superior a 80-90% em um ano). Portanto, a terapia de manutenção contínua é a estratégia padrão para evitar complicações e manter a remissão dos sintomas e das lesões endoscópicas.

Quais as complicações da esofagite não tratada?

A falha no tratamento adequado da esofagite grave pode levar ao desenvolvimento de estenose péptica (estreitamento do lúmen esofágico por fibrose), úlceras esofágicas com risco de hemorragia e a metaplasia intestinal (Esôfago de Barrett). O Esôfago de Barrett é a principal lesão precursora do adenocarcinoma de esôfago, o que reforça a necessidade de controle rigoroso da exposição ácida nesses pacientes de alto risco.

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