HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021
Menino de 4 anos, com antecedente de vômitos frequentes, é levado ao pediatra com queixa de 3 meses de dor retroesternal e dificuldade para deglutição, com piora progressiva. Realizou endoscopia digestiva alta que revelou presença de enantema, exsudatos esbranquiçados, anéis concêntricos e alteração na vascularização nos 2/3 distais do esôfago, sendo realizadas biópsias, com achados de hiperplasia de camada basal e presença de 20 eosinófilos por campo. Frente a esses achados, a principal hipótese diagnóstica e respectiva conduta são:
Esofagite Eosinofílica: Disfagia + Vômitos + Anéis/Exsudatos na EDA + >15 eosinófilos/campo na biópsia → Restrição alimentar/IBP/Corticoides tópicos.
A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica do esôfago, mediada imunologicamente, caracterizada por sintomas de disfunção esofágica e infiltração eosinofílica. O diagnóstico é clínico-patológico, exigindo biópsias esofágicas com contagem de eosinófilos (>15/campo de grande aumento) e exclusão de outras causas. A conduta inicial pode envolver inibidores da bomba de prótons ou restrição alimentar.
A esofagite eosinofílica (EEo) é uma doença inflamatória crônica do esôfago, mediada por antígenos e imunologicamente, que tem se tornado cada vez mais reconhecida na prática pediátrica e adulta. Caracteriza-se por sintomas de disfunção esofágica, como disfagia, dor retroesternal, vômitos e impactação alimentar, e por uma infiltração eosinofílica predominante na mucosa esofágica. Sua prevalência tem aumentado globalmente, tornando-a uma causa importante de morbidade gastrointestinal. O diagnóstico da EEo é estabelecido pela combinação de sintomas clínicos, achados endoscópicos sugestivos (anéis, exsudatos, estenoses) e, crucialmente, pela histopatologia de biópsias esofágicas que revelam uma contagem de eosinófilos ≥ 15 por campo de grande aumento, após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica, como a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) refratária. A fisiopatologia envolve uma resposta imune tipo Th2 a alérgenos alimentares ou ambientais, resultando em inflamação crônica e remodelamento tecidual. O tratamento da EEo visa controlar os sintomas e a inflamação esofágica. As principais abordagens incluem inibidores da bomba de prótons (IBP), corticosteroides tópicos deglutidos (fluticasona ou budesonida) e dietas de eliminação (empíricas ou baseadas em testes alérgicos). A escolha da terapia depende da idade do paciente, gravidade dos sintomas e preferência. O acompanhamento é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento e prevenir complicações como estenoses esofágicas.
Os achados endoscópicos sugestivos incluem anéis concêntricos (esôfago traqueal), exsudatos esbranquiçados, sulcos longitudinais, estenoses e alteração da vascularização. A biópsia é essencial para confirmar o diagnóstico, revelando mais de 15 eosinófilos por campo de grande aumento.
A restrição alimentar é uma das principais abordagens terapêuticas, visando eliminar alérgenos alimentares que desencadeiam a inflamação. Dietas de eliminação empíricas (ex: 6 alimentos mais comuns) ou direcionadas por testes alérgicos podem ser eficazes, mas exigem acompanhamento nutricional e endoscópico para reintrodução.
A diferenciação é crucial. Na esofagite eosinofílica, a contagem de eosinófilos é tipicamente >15/campo, e os sintomas não respondem adequadamente aos inibidores de bomba de prótons (IBP) em altas doses por 8 semanas. A DRGE pode ter eosinófilos, mas geralmente em menor quantidade e responde bem aos IBPs.
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