UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Menino, 7 anos de idade, apresenta queixa de refluxo, queimação retroesternal e dor epigástrica há 1 ano, que não melhoram com uso de inibidor da bomba de prótons. Tem antecedente de alergia à proteína do leite de vaca quando era lactente. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é o exame recomendado para a confirmação diagnóstica?
Criança com sintomas de DRGE refratários a IBP + história de atopia/alergia → suspeitar de Esofagite Eosinofílica (EoE).
A Esofagite Eosinofílica (EoE) é uma doença imunoalérgica crônica do esôfago, frequentemente associada a outras condições atópicas. A refratariedade dos sintomas de refluxo ao tratamento com inibidores da bomba de prótons (IBP) é um forte indício. O diagnóstico definitivo requer endoscopia com biópsias que demonstrem infiltração eosinofílica (≥15 eosinófilos/campo de grande aumento).
A Esofagite Eosinofílica (EoE) é uma doença inflamatória crônica do esôfago, de natureza imunoalérgica, caracterizada por uma densa infiltração de eosinófilos na mucosa esofágica. Sua incidência tem aumentado nas últimas décadas, sendo hoje uma das principais causas de disfagia e impactação alimentar em crianças e adultos jovens. A condição está fortemente associada a outras doenças atópicas, como asma, rinite alérgica e alergias alimentares, como a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) na infância. A apresentação clínica varia com a idade. Em crianças menores, pode se manifestar como recusa alimentar, vômitos, dor abdominal e sintomas semelhantes aos da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). Em crianças mais velhas e adolescentes, a disfagia para sólidos é o sintoma predominante. Um ponto-chave para a suspeita diagnóstica é a refratariedade dos sintomas ao tratamento convencional com inibidores da bomba de prótons (IBP), como no caso apresentado. O diagnóstico padrão-ouro é a endoscopia digestiva alta com a realização de biópsias seriadas do esôfago (pelo menos 2 a 4 fragmentos dos terços proximal e distal). O achado histopatológico de 15 ou mais eosinófilos por campo de grande aumento, na ausência de outras causas de eosinofilia esofágica, confirma o diagnóstico. A endoscopia também pode revelar achados característicos, embora não patognomônicos, como anéis, sulcos ou exsudatos.
Os achados podem incluir anéis concêntricos (esôfago traquealizado ou felino), sulcos lineares, exsudatos esbranquiçados, edema da mucosa e estenoses. É crucial lembrar que o esôfago pode ter aparência normal, tornando a realização de biópsias seriadas (terços proximal e distal) obrigatória para o diagnóstico.
O tratamento se baseia em três pilares, conhecidos como os '3 Ds': Drogas (corticoides tópicos deglutidos como fluticasona ou budesonida, ou IBP), Dieta (de eliminação de alérgenos comuns como leite, ovo, trigo e soja) e Dilatação (endoscópica, para tratar estenoses fibróticas).
A diferenciação pode ser desafiadora. A EoE é mais provável em pacientes com história pessoal ou familiar de atopia (asma, rinite, dermatite atópica), disfagia proeminente (em crianças mais velhas) ou recusa alimentar (em lactentes), e, principalmente, pela falta de resposta à terapia com IBP. A confirmação é sempre histológica.
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