PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Um menino de 10 anos apresenta disfagia intermitente e dor torácica há 6 meses. A endoscopia digestiva alta revela anéis esofágicos e estreitamento distal do esôfago. A biópsia esofágica mostra 40 eosinófilos por campo de grande aumento. Após o diagnóstico correto, qual das seguintes opções é considerada a intervenção mais eficaz para induzir a remissão da doença?
EoE: disfagia + anéis esofágicos + >15 eosinófilos/CGA → Dieta de exclusão ou corticoide tópico.
A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença inflamatória crônica do esôfago, imunomediada, caracterizada por disfagia e impactação alimentar, com infiltrado eosinofílico na biópsia (>15 eosinófilos/CGA). A dieta de exclusão de seis alimentos é uma das intervenções mais eficazes para induzir remissão, juntamente com corticosteroides tópicos.
A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença inflamatória crônica do esôfago, imunomediada, que tem ganhado crescente reconhecimento nas últimas décadas. Caracteriza-se por uma disfunção esofágica e um infiltrado eosinofílico proeminente na mucosa esofágica, em ausência de outras causas de eosinofilia. É mais comum em homens jovens e em indivíduos com histórico de atopia (asma, rinite alérgica, eczema). A importância clínica reside na sua capacidade de causar disfagia progressiva, dor torácica e impactação alimentar, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A fisiopatologia da EoE envolve uma resposta imune Th2 mediada por alérgenos alimentares ou ambientais, levando à infiltração de eosinófilos e liberação de citocinas pró-inflamatórias no esôfago. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de sintomas de disfunção esofágica, achados endoscópicos sugestivos (anéis, sulcos, estenoses, exsudatos) e, crucialmente, a presença de ≥ 15 eosinófilos por campo de grande aumento em biópsias esofágicas, após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica (como DRGE). A suspeita deve surgir em pacientes com disfagia crônica ou impactação alimentar, especialmente se refratários a tratamento para DRGE. O tratamento visa induzir e manter a remissão clínica e histológica. As principais opções incluem a dieta de exclusão (geralmente de seis alimentos, mas pode ser mais direcionada por testes alérgicos), corticosteroides tópicos deglutidos (fluticasona ou budesonida) e, em alguns casos, inibidores da bomba de prótons (IBPs) em dose alta. A dilatação esofágica pode ser necessária para estenoses refratárias. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a doença é crônica e requer acompanhamento contínuo para prevenir recidivas e complicações como estenoses e fibrose.
Clinicamente, a EoE se manifesta com disfagia, dor torácica e impactação alimentar. Endoscopicamente, podem ser observados anéis esofágicos, estenoses, exsudatos esbranquiçados, sulcos longitudinais e diminuição da vascularização, embora o esôfago possa parecer normal em até 10% dos casos.
O diagnóstico definitivo de EoE requer biópsias esofágicas que demonstrem um infiltrado de pelo menos 15 eosinófilos por campo de grande aumento (CGA) em uma ou mais amostras, após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica, como DRGE refratária a IBP.
As intervenções mais eficazes para induzir remissão na EoE são a dieta de exclusão de seis alimentos (leite, soja, ovos, trigo, amendoim/nozes, frutos do mar) e o uso de corticosteroides tópicos deglutidos (como fluticasona ou budesonida). Ambas as abordagens têm altas taxas de sucesso na remissão histológica e clínica.
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