Esofagite Eosinofílica: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 56 anos de idade, comparece em consulta ambulatorial com relato de pirose pós prandial frequente, cerca de 4 episódios por semana, associada a disfagia há 3 meses. Procurou atendimento médico, sendo iniciado omeprazol 20 mg/dia, porém não teve melhora do quadro. O exame físico encontra-se sem alterações. Realizou a endoscopia digestiva alta que evidenciou anéis esofágicos ("traquealização") e a histologia evidencia mais de 15 eosinófilos por campo. Entre as propostas abaixo, o melhor tratamento para controle de sintomas dessa paciente é

Alternativas

  1. A) vonoprazana.
  2. B) prednisona.
  3. C) dilatação esofágica.
  4. D) esofagectomia.
  5. E) fluticasona inalatória.

Pérola Clínica

Esofagite Eosinofílica: Disfagia + Pirose refratária a IBP + Anéis esofágicos + Eosinofilia na biópsia → Fluticasona deglutida.

Resumo-Chave

A esofagite eosinofílica deve ser suspeitada em pacientes com sintomas de refluxo gastroesofágico ou disfagia refratários ao tratamento com IBP. O diagnóstico é endoscópico e histológico. O tratamento de primeira linha inclui IBP (para excluir esofagite responsiva a IBP), corticoides tópicos deglutidos (como fluticasona) e dietas de eliminação.

Contexto Educacional

A esofagite eosinofílica (EoE) é uma doença inflamatória crônica do esôfago, caracterizada por uma infiltração eosinofílica da mucosa esofágica. Sua prevalência tem aumentado nas últimas décadas, sendo uma causa importante de disfagia e impactação alimentar em adultos e crianças. A EoE é considerada uma doença alérgica, frequentemente associada a outras atopias como asma, rinite alérgica e dermatite atópica. O reconhecimento da EoE é fundamental para o residente, pois seus sintomas podem mimetizar outras condições, como a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A fisiopatologia da EoE envolve uma resposta imune mediada por Th2 a alérgenos alimentares ou ambientais, resultando na liberação de citocinas que promovem a migração e ativação de eosinófilos no esôfago. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de sintomas de disfunção esofágica, achados endoscópicos característicos (anéis concêntricos, sulcos longitudinais, exsudatos esbranquiçados, estenoses) e, principalmente, a presença de mais de 15 eosinófilos por campo de grande aumento em biópsias esofágicas, após um teste terapêutico com IBP para excluir esofagite eosinofílica responsiva a IBP. O tratamento da EoE visa controlar a inflamação e aliviar os sintomas. As principais abordagens incluem inibidores de bomba de prótons (IBP), corticoides tópicos deglutidos (como fluticasona ou budesonida viscosa) e dietas de eliminação (empíricas ou direcionadas por testes alérgicos). A dilatação esofágica pode ser necessária para estenoses refratárias. A escolha do tratamento depende da gravidade dos sintomas, achados endoscópicos e preferência do paciente, sendo essencial um acompanhamento a longo prazo para evitar recorrências e complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da esofagite eosinofílica?

Os sintomas variam com a idade. Em adultos, os mais comuns são disfagia (dificuldade para engolir), impactação alimentar e dor torácica. Em crianças, pode haver vômitos, dor abdominal e recusa alimentar. Pirose e regurgitação também podem ocorrer, mimetizando DRGE.

Como é feito o diagnóstico de esofagite eosinofílica?

O diagnóstico requer a presença de sintomas de disfunção esofágica, achados endoscópicos sugestivos (anéis, sulcos, exsudatos, estenoses) e, crucialmente, a presença de pelo menos 15 eosinófilos por campo de grande aumento em biópsias esofágicas, após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica.

Qual o mecanismo de ação da fluticasona inalatória (deglutida) no tratamento da esofagite eosinofílica?

A fluticasona, quando deglutida (e não inalada), atua topicamente na mucosa esofágica como um potente anti-inflamatório. Ela reduz a infiltração de eosinófilos e a inflamação, aliviando os sintomas e melhorando os achados histológicos e endoscópicos da esofagite eosinofílica.

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